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INSIDE OUTSIDE

Bárbara Fonte com José Barrias

A Plataforma Revólver tem o prazer de apresentar “Bárbara Fonte com José Barrias” no Piso 2 do Edifício Transboavista. “Inside Outside” integra uma selecção de obras na sua maioria produzidas para a exposição.

O Desenho assume-se como forma exploratória e como figura fértil de ideias e de corpo que pairam (de maneira agressiva, zelosa e vertiginosa) no acto do feminino/masculino/animal, da sexualidade e do religioso, transmeando campos do primitivo e do originário ser. O projeto artístico situa-se na leitura, identificação e edificação das variáveis que as questões ocorrentes propõem. Através de desenhos/acontecimentos imiscui-se a própria existência espiritual e racional humana (metaforicamente humana) nos discursos do carnal e do poético. O Desenho passa a ser coisa interior-exterior-interior impregnada de passagens (cavernas bíblicas) entre a matéria real gerada pelo tempo e eco e os vestígios (i)mortais da vida.

Bárbara Fonte

A matéria que favorece a substância desta minha exposição com Bárbara Fonte forma-se a partir de 3 razões, diferentes mas entrelaçadas entre si. A razão da sobrevivência interroga o corpo da memória e mistura-se com a razão da vivência que regista o corpo presente na esperança que ambas possam contribuir para o desenho de uma nova razão construtiva… Uma flanerie ao longo da história de algumas histórias da História, sempre em movimento, sempre idêntica, sempre diversa. Vestígios, sombras, aventuras, simulacros, repetições… Fios, linhas cruzadas, teias e manchas, ritos de passagem, paredes, fendas, aberturas, fechaduras, viagens. Memórias acumuladas em espaços transitivos. Sonhos sonhados, peregrinações temporais, encantos vividos e lúcidos enganos. Lágrimas, risos e sorrisos. Beleza purificada, sinais de fogo.

José Barrias

Publicado a 15 de Maio de 2015

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DEVIDO À CHUVA A REVOLUÇÃO FOI ADIADA

Curadoria > Patrícia Trindade

Ana Poço Dias, André Banha, Ângelo Ferreira de Sousa e Isabel Ribeiro, Carla Cruz, Cecília Corujo, João Cruz, João Fonte Santa, Mais Menos, Margarida Dias Coelho, Rodolfo Bispo, Rui Luiz, Sara & André, Teresa Cortez e Tiago Alexandre

“Para caracterizar os fenómenos do nosso tempo é necessário, em primeiro lugar, questionar o conceito de crise. Fala-se da crise da sociedade, da crise da democracia (…) Esses discursos lamentam o desinteresse dos cidadãos pela vida pública e imputam-no à deriva individualista dos sujeitos consumidores. Essas supostas chamadas à responsabilidade cidadã só têm, na verdade, um efeito: culpar os cidadãos para mais facilmente os prender ao jogo institucional que só consiste em selecionar, entre os membros da classe dominante, aqueles por quem os cidadãos preferirão abdicar do seu poder de agir.”
Jacques Rancière

Este projeto expositivo pretende traçar uma geografia nacional de perspetivas sobre questões prementes, num ano em que se comemoram quatro décadas de democracia e o regime democrático é, mais do que nunca, questionado. Portugal é percebido com um país com sérios problemas de memória e de justiça, onde os mesmos rodam na dança da cadeira do poder, enquanto os cidadãos, assistem aos seus direitos e garantias deixarem de o ser e às grandes conquistas sociais e laborais dos últimos quarenta anos serem sucessivamente postas em causa, quando não eliminadas sob a ameaça do programa de assistência financeira que impôs uma política agressiva de redução de rendimentos, aumento de impostos e de privatizações que despiram o país dos seus recursos naturais e estratégicos. As palavras “estabilidade”, “segurança” e “futuro” foram retiradas do nosso dicionário e foram substituídas por “inconstância”, “desconfiança” e “incerteza”. Vive-se num país onde parece não se perceber a importância do investimento na cultura como impulsionador de desenvolvimento do país, onde não se apoia dignamente a produção nacional, onde se minimiza a relevância da arte e da criação artística como processo de reflexão sobre a realidade e se diminui o papel do artista como questionador da sociedade e como agente de um pensamento crítico gerador de novas ideias e novas soluções.

Depois dos preocupantes resultados das eleições europeias, onde nem o proclamado descontentamento com as políticas seguidas pelo poder parece ter sido pretexto para ir às urnas deixar um voto de protesto e baixar os já históricos elevados níveis de abstenção e com as ideias extremistas a afirmarem-­se e a ganharem terreno em países como a França, a Alemanha, a Holanda ou a Grécia, é cada vez mais premente refletir sobre o futuro do nosso país e da União Europeia, onde a ameaça fascista ou neonazi aparece de novo como uma realidade possível e o desespero e a falta de soluções para a crise se aliam à ignorância e à xenofobia, bandeiras hasteadas sem vergonha pelos partidos nacionalistas.
Este projeto expositivo procura refletir um sentimento nacional, entre a procura da mudança e a inércia, entre a revolta e a resignação, num tempo em que a palavra se dissocia da ação. Em que o gesto foi substituído pela opinião. Hoje, mais que nunca, temos opiniões. Muitas. Elas inundam os media e o mundo digital. As redes sociais substituíram a rua e transformaram o nosso conceito de revolta: hoje, a luta faz-se no Facebook e no Twitter. Mas quando é que da sentença se passará à ação? Quando começará o verdadeiro movimento?
Devido à chuva, a revolução foi, mais uma vez, adiada, mas nós viemos para a rua gritar.

Patrícia Trindade


Vista da exposição “Devido à chuva a revolução foi adiada” | Imagem: Fabio Salvo

CULTURA
Os artistas são uns ingratos.
Desde quando é que é preciso subsídios para fazer arte? Agora os artistas são bons demais para passar fome? Acham-se melhores que o Van Gogh?
Melhores que o Camões? É por terem dois olhos e duas orelhas?
Os artistas não querem ser funcionários públicos. Não querem picar o ponto,
apresentar relatórios trimestrais.
O Governo não abandonou a cultura, privatizou-a.
Tirou-a das mãos gordurosas do Estado e disse aos artistas para bater punho.
“Artista que não sofre, não cria”. E o que dizer de um artista que abandona o seu trabalho porque se vê subitamente sem Mecenas? Não é um fogo que vos consome até conseguirem mostrar ao mundo como o veem? Quem corre por gosto não cansa, excepto aquele tipo da Maratona. Ele morreu, mas não foi por falta de apoio do Estado.
Não desesperem. Sabemos como o desmame da subsidiodependência custa, mas
vejam nisto uma oportunidade. Emigrem! Não é como se nós prestássemos atenção aos artistas até terem sucesso lá fora. Como podemos ter a certeza que temos permissão para gostar de uma obra sem a aprovação de um estrangeiro primeiro?
Graças a Deus pela crítica inglesa, norte-americana, alemã, do Liechtenstein, de São Marino e do Alto Volta, senão não sabíamos quem era a Paula Rego ou o João Salaviza ou o Manoel de Oliveira ou o Saramago.
Que se calem os críticos, a dizer que o Governo não tem educação, é inculto e está a sabotar a cultura porque os artistas fazem oposição com dinheiro público. Para quê dar prémios que os artistas se recusam a aceitar das mãos de ministros? Para quê dar-lhes dinheiro que eles vão esbanjar em protestos e manifestações?
Em instalações que não percebemos, mas que os assessores do sr. Secretário de Estado garantem que são a gozar com a gente séria do Governo. Eles não percebem muito de arte, dos cantos dos Lusíadas ou dos violinos de Chopin, mas sabem do que gostam.
Admitamos, se o governo quisesse mesmo calar a oposição artística, dava-lhes a única coisa que pediram até agora, dinheiro.
Mesmo que não haja dinheiro para dar aos artistas, mesmo que o país peça para os artistas adiantarem o seu trabalho e sejam julgados pelo mérito da sua obra, mesmo que seja postumamente, não será preciso ao menos algum dinheiro para manter os museus e galerias abertos?
Se o povo quisesse arte, ia ao museu, não ia ao Colombo*. Somos dos países da Europa que menos gasta no lazer e na cultura. Lemos menos, vemos menos filmes (legalmente pelo menos), vamos a menos museus.
O governo serve para dar ao povo o que ele quer, não o que ele precisa.
Nos Estados Unidos, mais dinheiro passou pelo Kickstarter para financiar projetos artísticos que pelo National Endowment for the Arts. Se quiséssemos mesmo arte,
financiávamo-la nós. Se não damos dinheiro às artes, é porque não as queremos e o governo tinha razão.
Se damos, o governo tinha razão e a arte pode ser financiada no privado.
Olhem para este Estado tão magro agora que cortaram as gorduras da cultura.
Preferiam que cortassem na educação? Na saúde? Na polícia? No exército?
Nos assessores? Nas PPP? Há mais beleza (e Estado) no buraco do BPN que na Vitória de Samotrácia.

Guilherme Trindade

* estou a ser injusto, mais gente deve ter visto o Warhol no Colombo que no Berardo.

Publicado a 18 de Setembro de 2014

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O MANIFESTO DA GRUTA

Curadoria > Les Cahiers Européens de l’Imaginaire


Lima de Freitas, Gilbert Durand, Francisco Ariztia, Pedro Batista, Elise de Castelbajac, Ângelo Encarnação, Carlos Gaspar, Julien Isoré e Anaïs Ysebaert

Em 2014, os Cahiers européens de l’imaginaire convidaram sociólogos, artistas e investigadores a debater a questão do falso, numa edição intitulada “Le Fake”. “O imaginário é um real mais real que o real”, afirma Gilbert Durand. Mas poderá a pintura, e as artes visuais, no sentido mais lato, ser mais real que a realidade? A história de amizade entre Gilbert Durand, filósofo francês e pai da antropologia do imaginário, e Lima de Freitas, pintor e escritor português poderá estar no cerne da questão. Assim, para responder a esta chamada e para prestar homenagem a esta amizade entre filosofia e pintura, entre França e Portugal, propõe-se aqui um encontro que reúne culturas, histórias, métodos de observação e gerações.

Publicado a 16 de Setembro de 2014

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OS SONHOS
Curadoria > Cacao Europa

A revista Cacao Europa – Rebirth in Paris apresenta uma projeção de um filme de Laëtitia Laguzet.

Publicado a 10 de Setembro de 2014

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Art Stabs Power – que se vayan todos!

António Lago e Susana Chiocca; Angela Tiatia; Fernando J. Ribeiro; Filipe Marques; Hugo de Almeida Pinho; Inês Teles; Joana Gomes; Joao Vilhena; Manuel Santos Maia; José Almeida Pereira; Jorge André Catarino; Paulo Mendes; Paul Eachus e ART PROTESTERS (Alexandre Sequeira Lima, André Fradique, Beatriz Albuquerque, Brigitte Dunkel, João Aires, João Bacelar, Joao Vilhena, João Galrão, Natércia Caneira, Raquel Freire)

Curadoria Inês Valle

Nestes últimos anos Portugal tem vindo a enfrentar uma crise financeira que veem a destabilizar e questionar as fundações do sistema dito democrático. O papel do estado seria o de garantir a estabilidade do país e o bem estar da sua população. No entanto, os interesses económicos globais ainda falam mais alto que os valores éticos e morais para subservir uma união europeia, que supostamente trabalha para o bem comum, desvalorizando a identidade do país e penalizando os verdadeiros interesses nacionais. Do ponto de vista de Giorgio Agamben, vivemos um estado de excepção permanente em que o poder executivo absorveu os poderes judiciais e legislativos, mas onde se continuam a dar lições sobre a separação dos poderes. Hoje, a democracia é um déspota flutuante, ou seja, deste conceito pode se também dizer que é um significante despótico no discurso político contemporâneo: ocupa a quase totalidade do espaço ideológico e geográfico. (…)

A flutuação do significante [democracia] enquanto princípio e realidade, enquanto forma e conteúdo da política, enquanto tipo de política e tipo de sociedade ou mesmo enquanto tipo humano, forma uma estrutura complexa na hegemonia política actual, presente desde o senso comum ao discurso político-intelectual.
A entrada de Portugal na União Europeia (UE) impulsionou o desenvolvimento do país, influenciado por exigências ou investimentos provenientes da UE, bem como pela abertura económica de Portugal aos restantes Estados Membros. Produtos financeiros tóxicos em certos casos e noutros investimentos, sob a forma de Fundos, incidiram principalmente nos países menos desenvolvidos, como Portugal, Espanha, Grécia, Itália, Irlanda ou Islândia.(…) Curiosamente, parte dos países referidos, são os que hoje formam os PIGS, países erroneamente aclamados como “causadores” ou catalisadores da crise económica Europeia. Mas, agora podemos levantar algumas questões: Até que ponto não terão estas políticas forçado os países a abdicar das suas principais formas de subsistência? Até que ponto não terão sido as medidas impostas pela própria UE a tornarem Portugal e os demais países subsídio-dependentes? Até que ponto não terão sido essas medidas responsáveis pelo despoletar da crise económica com que agora nos deparamos? Amigos, democracia e capitalismo não são irmãos gémeos como se quer fazer crer.

(…) o Fundo Monetário Internacional (FMI), um órgão que se “especializa” na aplicação de medidas drásticas a países que foram forçados a aceitar um pacote de pagamentos para equilibrar o seu défice. Olhando retrospectivamente para a história, a credibilidade deste órgão é deveras duvidosa… A Argentina foi uma das vítimas da aplicação de medidas impostas pelo FMI, que afundaram o país numa espiral de recessões económicas sem fim à vista. Eventualmente, foi a própria população que demonstrou a sua revolta em inúmeras e violentas manifestações que evocavam “Que se vayan todos!” (todos daqui para fora), exigindo o expurgo de todos os políticos e financeiros internacionais que colocaram o “país de joelhos”. Farta de corrupções políticas e sofrendo o impacto destrutivo da sua dívida externa, a população exigiu mais controlo sobre a sua economia nacional. (…). “A democracia é a abstração monetária como organização da pulsão de morte” escreve Alain Badiou.

(…) Similarmente, Portugal encontra-se hoje numa caótica espiral de recessão com a aplicação de sucessivas políticas de austeridade impostas à população assistindo-se a um crescente aumento de impostos e sucessivos cortes orçamentais. Os serviços públicos básicos, como a Saúde e a Educação, têm enfrentado reduções drásticas nos seus orçamentos. O Governo não deveria perpetuar uma continua usurpação direitos, como nitidamente observamos na escassez do nosso estado social. (…) Num país em que não se valoriza nem se respeita convictamente a Cultura, sendo esta encarada com superficialidade e mesmo considerada como área desnecessária à vida humana por um governo que se diz pautar por medidas democráticas, não foi com estranheza que os artistas assistiram à extinção do Ministério da Cultura e à subsequente penalização destes sectores… (…) Como Jacques Rancière afirma “os que se creem astutos podem sempre dizer que a igualdade não é mais do que o doce sonho angélico dos imbecis e das almas sensíveis… Não há serviço que se execute, não há saber que se transmita, não há autoridade que se estabeleça sem que o amo ou o mestre tenham, por pouco que seja, falado de “igual para igual” com aquele que comandam ou instruem.” Procura-se assim fugir aos perigos utópicos da ideia de uma democracia purificadora da sociedade. A enxurrada democrática é impura, não desagua no fim da política. A sua força residirá na capacidade de mobilizar a vontade de emancipação em tempos de cinismos e desilusões. Não se trata apenas nem principalmente do sonho de uma irrupção imprevisível da democracia verdadeira como “acontecimento” mas da força concreta com que esta ideia ajuda à corrente política mais ou menos subterrânea que é a política dos oprimidos. E da necessidade de avaliar esta força analisando que estratégias carrega em si, que eficácias tem tido, que efeitos contra-hegemónicos. Neste contexto a arte surge como móbil dialético de verbalização de protesto. Encoraja-se a audiência pressentir e percepcionar a realidade sociocultural em que vive para poder direcionar a sua autonomia de deliberação no meio destes contínuos jogos de poder.

EN/// In the recent times, specifically in the aftermath of the worldwide financial crisis, we have been starting to observe in the Portuguese population a shift in societal behaviours, becoming united facing the several policies of austerity imposed by international organizations. The population have been driven to the abyss’s verge, precariously surviving without any envision of a prosperous future, manifesting their frustration against the government’s decisions, which is mostly corrupt and blatantly meanders through a system of lobbies.

“ART STABS POWER – Que se vayan todos!” is an exhibition focusing on the several policies of austerity imposed to Portugal, its impacts in Society and in the Arts. Art has always remained a critical and conscious platform reflecting upon the local social and political issues that consequentially mirror global politics and international interests. Thus it explores the current interrelationships between art, activism and politics through several art projects. These projects use performance, installation, video, painting and objects as mediums of manifestation and/or reflection on the current austerity policies that have brutally impacted the lives of the Europeans and Portuguese people as well as the future of their country.

Publicado a 15 de Maio de 2014

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Estado de Sítio
Coletivo Tempos de Vista
Inês Teles, Joana Gomes, Margarida Mateiro, Maria Sassetti e Xana Sousa

A premissa global do coletivo Tempos de Vista é a confluência de diversas perspetivas de um mesmo Lugar, sob um olhar artístico, consciente da importância histórica e cultural que os espaços tomam na comunidade.
Praticamos uma abordagem holística do projeto, que se constrói através da interdisciplinaridade dos médios e transversalidade das referências e conteúdos conceptuais moldando-se às condições do Lugar, aos que habitam a sua periferia e à própria coletividade. Embora no presente contexto, e tendo em conta as características do espaço expositivo, pudéssemos ter explorado novas direções que não necessariamente o Lugar, reencontrámo-nos por via dos interesses individuais, numa ideia a si associada: uma noção de Espacialidade. Ou seja, abraçando este desafio, o coletivo delineou como premissa da exposição o conceito de espacialidade, na sua pluralidade. Assim, um dos seus desdobramentos inicia-se na própria geografia do espaço, explorando-se a ideia de mapeamento no sentido de encontrar as coordenadas que definem a sua geometria. Consequentemente, a esta proposição surge associado o posicionamento de um corpo no espaço, a noção de escala e a experiência sensorial.
O percurso expositivo desenha-se a partir de um diálogo sequencial entre as obras individuais, que convidam o espectador a participar, por um lado, pela atuação da sua memória corporal direta e, por outro, através do reconhecimento de elementos que despoletam memórias do foro coletivo. Estas duas noções de memória concretizam-se em dois patamares: Cinestesia, termo que nomeia o conhecimento empírico do sujeito face à ação motora necessária à sua orientação, equilíbrio e deslocação no espaço; e Sinestesia, semântica que designa a união de distintos planos sensoriais, pela atribuição linguística de adjetivos que pertencem a outros sentidos.
A proposta do coletivo vive de paralelismos e duplicidades entre os conceitos desenvolvidos, nomeadamente, da parte para o todo/do uno para o múltiplo; dos vários tempos da memória – tempo simultâneo/tempo passado; de Cinestesia e de Sinestesia; de espaço físico e de espaço simbólico-abstrato.

Publicado a 14 de Maio de 2014

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Nós

Curadoria de João Fonte Santa
António Caramelo, Garcia da Selva, Inez Teixeira, João Belga, João Fonte Santa, Mafalda Santos, Margarida Dias Coelho, Maria do Rosário Maia, Paulo Mendes, Pedro Amaral, Pedro Bernardo, Putas Bêbadas, Rodrigo Cotrim, São Trindade, Sara & André, Susana Gaudêncio

Nós, título citado da obra homónima do escritor soviético Yevgeny Zamyatin, que serve de referência para os romances de ficção-científica distópicos “O Admirável Mundo Novo” (Brave New World) de Aldous Huxley e “1984″ de George Orwell, chama a atenção para os perigos recorrentes de uma sociedade tecnologicamente desenvolvida: alienação e híper-vigilância, mas também concentração do poder numa pequena e abusiva classe social.
Para mim, que cresci a consumir ficção-científica, estas três obras seminais serviram como uma sinalização daquilo que o futuro nunca seria… até um dia, de repente, olhar à volta e perceber que a “realidade” se tornara numa gigantesca Disneylândia, mas muito negra: uma classe possidónia tomou a caricatura por utopia e está, freneticamente, a concretizá-la.
Nós, a exposição, é o resultado-súmula de um processo levado a cabo em três outros momentos anteriores: “Rádio Europa Livre”, “O Declínio Do Mundo Pela Magia Negra” e “O Fim Da Violência” que procuraram (procuram) traçar, por um lado, uma “radiografia” do estado das coisas, e, por outro lado, demandar novas utopias e (im)possíveis iconografias para uma saída da ficção e um retorno à realidade.

João Fonte Santa

Publicado a 7 de Março de 2014

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Jordi Burch | Ondjaki

“Se não me engano, faz Angola” apresenta trabalho recente do fotógrafo catalão Jordi Burch. Na Plataforma Revólver, apresenta a sua visão particular sobre o interior deste país que visitou. A exposição é realizada em parceria com escritor angolano Ondjaki, que apresenta nove poemas que dialogam e se confrontam com as dezoito imagens de Burch.

estão vivos os fantasmas
e aprenderam a
a uivar.
preparo os pés.
reinicio a caminhada.
carrego na mão
essa âncora
que ao estar no chão
me macera
o tornozelo.
evaporaram-se
as palavras
molhadas.
está nu
o meu estendal.

respiro. espero.

oxalá
que os pássaros
saibam
o caminho de volta
até mim.

Ondjaki

BIOGRAFIAS

///Jordi Burch (Barcelona, 1979)
Atualmente reside em São Paulo, Brasil.
Colabora com a Weekend Magazine do Financial Times e com o Le monde. Foi colaborador permanente da revista Grande Reportagem. Colaborou com a revista Pública (Jornal Público), Expresso, Visão e Egoísta. Tem trabalhos em publicações
internacionais, como a National Geographic, o Courrier International, a Playboy Russa e a Folha de São Paulo.

///Ondjaki (Luanda, 1977)
Licenciado em Sociologia, Ondjaki desde cedo despertou para a Literatura. Os prémios depressa apareceram. Em 2007, recebeu o “Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco” com a obra “Os da minha rua”. Na Etiópia, foi galardoado com o prémio “Grinzane for best african writer”, em 2008. No Brasil, foi vencedor do “Prémio Jabuti”, na categoria juvenil, com o livro “AvóDezanove e o segredo soviético”.
O seu livro “Os Transparentes” ganhou o “Prémio José Saramago”, em 2013.

Publicado a 6 de Março de 2014

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DUDA ORIGINAL

Ibon Aranberri, Elena Bajo, Cabello-Carceller, Albert Corbí, Dora García, Daniel Jacoby, Alvaro Urbano e Pablo Valbuena

Curadoria de Andrea Rodríguez Novoa e Verónica Valentini

A Plataforma Revólver tem o prazer de apresentar no contexto da Mostra Espanha 2013, “Duda Original”, uma exposição colectiva com a curadoria de Andrea Rodríguez Novoa e Verónica Valentini. A exposição apresenta oito artistas maioritariamente espanhóis, todos nascidos a partir de metade dos anos sessenta, que se irão encontrar na Plataforma Revólver, em Lisboa, para apresentarem um novo trabalho site specific.
A proximidade entre a pesquisa artística e científica é cada vez mais evidente depois do longo afastamento entre as duas disciplinas na época moderna. Poderíamos extrapolar e discutir um certo método artístico fazendo eco das estratégias que têm sido implementadas e aplicadas nos diversos campos científicos. O projeto expositivo Duda Original reflete sobre a prática contemporânea, tanto do artista como do comissário, que usa a investigação e a dúvida como um valor e resultado, como metodologia de trabalho. A exposição explora a abordagem crítica do artista no desenvolvimento e produção de uma proposta aberta a novos significados, modos de pensar e de transmissão de conhecimento, como dinâmicas susceptíveis de criar um novo espaço de dúvida e questionamento com o público.

A exposição é acompanhada por um catálogo produzido pela Plataforma Revólver.

Publicado a 15 de Novembro de 2013

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DEAR STORIES

Alexandre Almeida, Ângela Berlinde, Inês d’Orey, José Bacelar, Luísa Ferreira, Mireille Loup, Monika Merva, Paulo Catrica, Tito Mouraz e Valter Vinagre

A exposição Dear Stories foi concebida na sequência de um convite do Museu da Imagem de Braga junto da Dear Sir – Agência de Fotografia de Autor. Esteve em exposição de Março a Maio de 2013 e é apresentada agora na Plataforma Revólver.
A Dear Sir, como agência, pretende aproximar de uma forma continuada a expressão fotográfica de autor junto do mundo empresarial e institucional. Paralelamente, incentiva o coleccionismo fotográfico, não só através da divulgação dos autores que representa, mas também com a publicação de obras de edição limitada com reconhecido valor no mercado.

“Dear Stories corporiza um conjunto de dez histórias de outros tantos autores. Melhor dizendo, o preâmbulo de narrativas individuais que constituem extractos de séries de cada um dos autores. Cada conjunto de imagens introduz uma ficção que pode ser reescrita e continuada por cada espectador e que, de alguma maneira, revela a ambiguidade, mas ao
mesmo tempo, a riqueza do suporte fotográfico.
Numa época em que vivemos mergulhados num mundo de imagens e em que a construção fotográfica se tornou mais democrática do que nunca, acreditamos que a Dear Sir traz a público aquilo que consideramos um importante conjunto de fotografias que contribuem para uma enriquecida reflexão em torno dos discursos visuais da actualidade”.
Rui Prata

Várias são as definições para fotografia de autor. Na Dear Sir interessa-nos a que legitima um fotógrafo no seu percurso, nos seus projetos, na forma como através da fotografia nos transmite a sua visão do mundo, com a sua estética e dimensão artística. Cada artista apresentado conta-nos de si, através de imagens extraídas de projetos autorais de cada um. Numa exposição coletiva deixamos histórias, únicas, convidando o público a ver em cada autor uma mensagem que invoca o diálogo entre os dois: artista e espectador. São 10 exposições, são 10 histórias, 10 Dear Stories.
Alexandra Sousa

Publicado a 14 de Novembro de 2013

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