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		<title>RÁDIO EUROPA LIVRE</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 18:37:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Plataforma Revólver Project.Sala 2
RÁDIO EUROPA LIVRE 
Curadoria João Fonte Santa 
João Fonte Santa, Margarida Dias Coelho, Maria do Rosário Maia, Susana Gaudêncio 
“Vim aqui para mascar pastilha elástica e partir tudo… e as minhas pastilhas acabaram.”*
RADIO EUROPA LIVRE é uma exposição de artes plásticas, e resulta de um choque frontal em linha de alta velocidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://transboavista-vpf.net/wp-content/uploads/2011/12/convite_project-499x800.jpg" alt="convite_project" title="convite_project" width="499" height="800" class="aligncenter size-large wp-image-2394" /></p>
<p>Plataforma Revólver Project.Sala 2<br />
RÁDIO EUROPA LIVRE </p>
<p>Curadoria João Fonte Santa </p>
<p>João Fonte Santa, Margarida Dias Coelho, Maria do Rosário Maia, Susana Gaudêncio </p>
<p>“Vim aqui para mascar pastilha elástica e partir tudo… e as minhas pastilhas acabaram.”*<br />
RADIO EUROPA LIVRE é uma exposição de artes plásticas, e resulta de um choque frontal em linha de alta velocidade de via única entre a Queda do Muro e a Primavera Árabe.<br />
RADIO EUROPA LIVRE acredita na compaixão generosa e espontânea; na solidariedade baseada numa ética perigosamente igualitária: pare e dê boleia a uma família. Jamais fure uma greve, mesmo que a sua família não tenha dinheiro para pagara renda de casa. Compartilhe seu último cigarro com um estranho. Roube leite quando não tiver para os seus lhos e ofereça metade aos lhos do vizinho. Ouça atentamente os sagazes e serenos que perderam tudo, menos a dignidade. Cultive a generosidade do “nós”. O que quero dizer, suponho, é que […] adoro as crianças corajosas que estão prontas para enfrentar o próximo inverno e passar frio nas ruas, bem como seus irmãos e sem abrigo.<br />
Fique atento à verdadeira recompensa: a democracia económica – o direito de as pessoas comuns tomarem macro-decisões sobre o investimento social, taxas de juros, uxo de capital, criação de empregos e afins. Se o debate não for sobre o poder económico, ele é irrelevante!<br />
A pobreza é a pior forma de violência.<br />
A Radio Free Europe/Radio Libertyé uma estação de rádio e organização de comunicação fundada pelo Congresso Norte-Americano e pela C.I.A., durante a guerra fria com o intuito de difundir propaganda norte americana nos países de influência soviética. Com o m do bloco de Leste a Radio Free Europe passou a orientar a sua atenção substancialmente para os estados (muçulmanos) do Médio Oriente e Ásia Central.<br />
A Radio Free Europe actualmente está instalada em Praga, na Republica Checa.<br />
Este texto foi compilado a partir de uma recolha de notícias e opiniões das agencias de noticias e do filme &#8220;Eles Vivem&#8221; de John Carpenter. </p>
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		<title>SUBTLE CONSTRUCTION</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 18:18:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[By transboavista at 2011-12-05
PISO 1
SUBTLE CONSTRUCTION 
Carlos Bunga, Matias Machado Cristian Rusu, Sancho Silva, Yukihiro Taguchi, Sinta Werner 
Curadoria Marta Jecu 
A exposição Subtle Construction tem como objectivo explorar as potencialidades do espaço construído, da construção na sua forma minimal. Esta exposição representa uma tentativa de investigar a arquitectura transformável. Terá em consideração as qualidades [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://img28.imageshack.us/img28/654/convitesubtle.jpg" alt="Image Hosted by ImageShack.us"/><br/>By <a target="_new" href="http://profile.imageshack.us/user/transboavista">transboavista</a> at 2011-12-05</p>
<p>PISO 1<br />
SUBTLE CONSTRUCTION </p>
<p>Carlos Bunga, Matias Machado Cristian Rusu, Sancho Silva, Yukihiro Taguchi, Sinta Werner </p>
<p>Curadoria Marta Jecu </p>
<p>A exposição Subtle Construction tem como objectivo explorar as potencialidades do espaço construído, da construção na sua forma minimal. Esta exposição representa uma tentativa de investigar a arquitectura transformável. Terá em consideração as qualidades flexíveis, performativas e generativas da arquitectura. O projecto parte do entendimento que a arquitectura que não está ligada a um certo aparelho de mediação ou forma visual. É concentrado na arquitectura efémera e em formas transitórias dos processos de construção.<br />
Os artistas envolvidos trabalham com o espaço, a ausência, temporalidades sobrepostas e configurações espaciais, numa pluralidade de meios, tais como o desenho, a instalação, a performance e a animação de objectos. Os trabalhos estão ligados ao espaço vazio, à ausência de acção e narração, o outro lado da visibilidade. Tornam assim possível a experiência de uma dimensão virtual dos seus ambientes, trazendo à consciência potencialidades não manifestadas de locais, situações e objectos. Estes tornam-se actuais, experimentáveis, através do complexo processo de construção, no qual o artista actua, documenta e reencena.<br />
Subtle Construction propõe uma investigação sobre as possibilidades contemporâneas da realização do virtual, a qual não depende de meios digitais, mas que acarreta a consciencialização filosófica da era digital. As construções resultam de processos que sobrepõem espaços e varias temporalidades com modos básicos e extremamente minimais de lidar com o espaço e o objecto. Todos os trabalhos têm em comum a preocupação com a representação analítica do espaço e uma abordagem do quotidiano que está próxima dos receptores e interage com estes processualmente. A performatividade, pela sua afirmação natural e forma de expressão de situações e ambientes é entendida como activa, trazendo movimento ao espaço e gerando um processo de transformação. As obras são mediações da presença histórica, padrões de representação, de teatralidade, trazendo um registo de intensidade na arquitectura.<br />
É parte integrante da exposição Subtle Construction a escultura performativa de Hironari Kubota, The spinning idol ~ ???? Senjyu-Kannon. A performance será realizada no dia 15 e 19 de Novembro e a peça continuará em exposição até dia 31 de Dezembro no Jardim das Oliveiras, no CCB, com o apoio do Museu Colecção Berardo.<br />
Subtle Construction conta também com um livro teórico (Bypass Editions) dedicado ao virtual e ao imaginário na arquitectura, com as contribuições de Luis Santiago Baptista, Sancho Silva, Manuel Aires Mateus, Carlos Bunga, João Silvério, Pedro Gadanho, Sinta Werner, Dana Bentia, Matias Machado, Garrett Ricciardi e Julian Rose, Yukihiro Taguchi, Cristian Rusu, Hironari Kubota. </p>
<p>Apoios: Japan Foundation, Câmara Municipal de Lisboa, Romanian Cultural Institute, Goethe Institute, Gamut, Largo Residências, Plastimar, Museu Colecção Berardo, Turismo de Lisboa, Embaixada da Argentina, Plataforma Revólver,Artecapital.net, Sobreira &#038; Serras, Arta. </p>
<p>______________________________________________________________________________</p>
<p>PISO 1<br />
SUBTLE CONSTRUCTION </p>
<p>curator Marta Jecu </p>
<p>Carlos Bunga, Matias Machado, Cristian Rusu, Sancho Silva, Yukihiro Taguchi, Sinta Werner </p>
<p>The exhibition S u b t l e C o n s t r u c t i o n is meant to explore the potentialities of built space and to investigate transformable architecture. It will take into consideration the flexible, performative and generative qualities of architecture. The project has a starting point an understanding of architecture that is not connected to a certain medial device or visual form. It is concentrated on ephemerous architecture and transitiory forms of building processes. The artists involved work with architectural space in a plurality of media like drawing, installation, performance, animation, object. The works deal with empty space, absence of action and narration, the reverse side of visibility. They make possible the experience of a virtual dimension of their environments by bringing into consciousness unmanifested potentialities of places, situations, objects. These become actual, experienceable, through complex building processes, which the artist perform, document, re-enact.<br />
S u b t l e C o n s t r u c t i o n intends to propose an investigation of contemporary possibilities of realization of the virtual, which is not dependent on digital means, but which carry the philosophical awarenesses of the digital era. Constructions result from processes that superpose spaces and various temporalities with extremely minimal, basic modes of dealing with space and the object. All the works have in common a concern with an analytical representation of space and a quotidian approach, that is close to the receptors and interacts with them processually. The performativity, by which the natural affirmative, expressive power of situations and environments is perceived as active, brings movement into space and generates transformation process. The works are meditations on historical presence, patters of representation, on theatricality, and bring a register of intensity in architecture.<br />
As part of Subtle Construction is also the performative sculpture of Hironari Kubota The spinning idol ~ ????Senjyu-Kannon which will be performed on the15th and 19th November and shown until the 31st of December 2011 in the CCB Olive Tree Garden and is supported by the Berardo Collection.<br />
Subtle Construction issues also a theoretical book issued by Bypass and devoted to the virtual and the imaginary in architecture, which benefits of the contribution of Luis Santiago Baptista, Sancho Silva, Manuel Aires Mateus, Carlos Bunga, Joao Silverio, Pedro Gadanho, Sinta Werner, Dana Bentia, Matias Machado, Garrett Ricciardi and Julian Rose , Yukihiro Taguchi, Cristian Rusu, Hironari Kubota. </p>
<p>Sponsors and Partnerships:<br />
The Japan Foundation, Câmara Municipal de Lisboa, Goethe Institute, Romanian Cultural Institute, Museu Colecção Berardo, Plastimar, Largo Residencias, Gamut, Turismo Lisboa, Embaixada da Argentina, Transboavista, Sobreira &#038; Serras, Plataforma Revolver, Arta</p>
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		<title>URBSCAPES:Espaços de hibridação</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 18:17:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
PISO 2
URBSCAPES:Espaços de hibridação 
Curadoria Alicia Ventura 
Bleda y Rosa (Prémio Nacional de Fotografia de Espanha), Gerardo Custance, Rafael Liaño, Anna Malagrida e Mathieu Pernot, Ángel Marcos, Mireya Masó, José María Mellado, Eduardo Nave, Jesús Rivera, Adrian Tyler e Jorge Yereguiv 
A paisagem submete-se à arquitetura. O homem, como animal urbano, apropria-se da natureza, impondo-lhe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://transboavista-vpf.net/wp-content/uploads/2011/12/convite_urbscapes_final.JPG" alt="convite_urbscapes_final" title="convite_urbscapes_final" width="540" height="729" class="aligncenter size-full wp-image-2370" /></p>
<p>PISO 2<br />
URBSCAPES:Espaços de hibridação </p>
<p>Curadoria Alicia Ventura </p>
<p>Bleda y Rosa (Prémio Nacional de Fotografia de Espanha), Gerardo Custance, Rafael Liaño, Anna Malagrida e Mathieu Pernot, Ángel Marcos, Mireya Masó, José María Mellado, Eduardo Nave, Jesús Rivera, Adrian Tyler e Jorge Yereguiv </p>
<p>A paisagem submete-se à arquitetura. O homem, como animal urbano, apropria-se da natureza, impondo-lhe formas, estruturas, movimento, som. Urbscapes: Espaços de Hibridização, mostrará a obra de diferentes artistas fotógrafos cujos trabalhos estão relacionados com a paisagem e a arquitetura partindo de uma visão linear do tempo, onde coexistem o natural e o edificado. A exposição analisa as intenções e intervenções que se foram sucedendo na paisagem nas distintas escalas do território, sem esquecer as propostas líricas que saboreiam o aroma da paisagem com outros parâmetros.<br />
Representações da destruição da paisagem e sua própria desnaturalização, a marca da transformação urbana dos bairros, uma cidade fantasma capaz de conservar uma última presença das vidas e das histórias, mesmo antes da sua definitiva desaparição. Lugares míticos que construíram a nossa história e que agora se presentam como aprazíveis campos de cultivo ou desertos rochosos. Reflexões sobre o mutismo e a mutilação que parte da vulnerável relação vital entre o homem e o seu ambiente natural. Retratos da ausência de vida como um chamar de atenção e cuidado face ao ecossistema. Melancolia face à velocidade que caracteriza a sociedade atual. A colisão entre a paisagem urbana e a rural. A reconstrução do ambiente urbano e a Natureza como paisagem. A presença natural nas cidades. A divulgação do pensamento sustentável e da proliferação de discursos respeitosos com o medio ambiente. A dominação da natureza selvagem sobre o abandono e o devir histórico. É a presença visível da mudança. </p>
<p>A chegada da fotografia e a sua utilização como linguagem artística e profissional serviu, entre outras muitas coisas, para alterar definitivamente a ideia de género da paisagem. Se na pintura clássica o género reflecte tímida e escassamente a criação e evolução da cidade, a fotografia encarregar-se-á de reclamar esse modelo de mudança, diferente. A cor, a ideia canónica de beleza ver-se-á assim alterada pela chegada de uma grande variedade de conceitos estéticos nos quais o ressurgir da arquitectura será um elemento chave. O branco e preto e os cinzentos, as luzes e as sombras, a ausência de pessoas, o protagonismo dos edifícios civis, a ideia de paisagem como linha de edifícios… Hoje em dia é a fotografia a que evolui e explora um género que já é uma ideia: a paisagem. </p>
<p>___________________________________________________________________________ </p>
<p>PISO 2<br />
URBSCAPES: Espacios de hibridación </p>
<p>Comisaria Alicia Ventura </p>
<p>Bleda y Rosa, Gerardo Custance, Rafael Liaño, Anna Malagrida y Mathieu Pernot, Ángel Marcos, Mireya Masó, José María Mellado, Eduardo Nave, Jesús Rivera, Adrian Tyler, Jorge Yeregui </p>
<p>El paisaje se pliega a la arquitectura. El hombre, como animal urbano, se apropia de la naturaleza, imponiéndole formas, estructuras, movimiento, sonido. Un puente, una carretera, un edificio, un jardín, circuitos, llegando al paradigma final que es la propia ciudad.<br />
La cultura cambia, cambian los medios técnicos, las relaciones con las formas físicas del territorio adecuándose a la necesidad e interés de los hombres en cada momento. Al hecho, por una parte, de estar el espacio “físicamente construido” y de las necesidades biológicas universales. Quizá esto sea lo que necesitamos reconocer como condiciones básicas primarias para escuchar al paisaje.<br />
La llegada de la fotografía y su uso como lenguaje artístico y profesional ha servido, entre otras muchas cosas, para cambiar definitivamente la idea de género del paisaje. Si en la pintura clásica el género refleja tímida y escasamente la creación y evolución de la ciudad, la fotografía se encargará de reclamar para ella ese modelo cambiante y diferente. El color, la idea canónica de belleza se verá así alterada por la llegada de una gran variedad de conceptos estéticos en los que el resurgir de la arquitectura será un elemento clave. El blanco y negro y los grises, las luces y las sombras, la ausencia de personas, el protagonismo de los edificios civiles, la idea de paisaje como línea de edificios… Hoy en día es la fotografía la que evoluciona y explora un género que ya es una idea: el paisaje. </p>
<p>Urbscapes: Espacios de Hibridación, mostrará la obra de diferentes artistas fotógrafos cuyos trabajos están relacionados con el paisaje y la arquitectura partiendo de una visión lineal del tiempo, en donde coexisten lo natural y lo edificado. La exposición trata de analizar las intenciones e intervenciones que se han ido sucediendo en el paisaje en las distintas escalas del territorio, sin olvidarse de aquellas propuestas líricas que saborean el aroma del paisaje con otros parámetros.<br />
Representaciones de la destrucción del paisaje y su propia desnaturalización, la huella de la transformación urbana de los barrios, una ciudad fantasma capaz de conservar una última presencia de las vidas y las historias justo antes de su definitiva desaparición. Lugares míticos que han construido nuestra historia y que ahora se presentan como apacibles campos de cultivo o yermos pedregales. Reflexiones sobre el mutismo y la mutilación que parte de la vulneración de la relación vital entre el hombre y su entorno natural. Retratos de la ausencia de vida como reclamo de atención y cuidado hacia el ecosistema. Melancolía frente a la velocidad que caracteriza a la sociedad actual. La colisión entre el paisaje urbano y el rural. La reconstrucción del entorno urbano y la Naturaleza como paisaje. La presencia natural en las ciudades. La divulgación del pensamiento sostenible y la proliferación de discursos respetuosos con el medio ambiente. La dominación de la naturaleza salvaje sobre el abandono y el devenir histórico. Es la presencia visible del cambio. </p>
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		<title>PANÓPTICO</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 18:11:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
PISO 3
PANÓPTICO 
Curadoria Pedro Cabral Santo 
Ariel Pinheiro, Patrícia Guimarães, Ana Sofia Martins, Miguel Faro, Ana Viotti, Sibila Lind, Tiago Gonçalves, Carlos Amaral, Carolina Ferreira, Catarina Ruas, Darsy Fernandes, Nikita Novitsky, Inês Ferreira, Sofia Caldeira, Carolina Soares, Maja-Escher 
Ser finalista é ter chegado ao limite de um território, ter atingido uma meta ou, ainda, como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://transboavista-vpf.net/wp-content/uploads/2011/12/convite-piso3-486x800.jpg" alt="convite-piso3" title="convite-piso3" width="486" height="800" class="aligncenter size-large wp-image-2371" /></p>
<p>PISO 3<br />
PANÓPTICO </p>
<p>Curadoria Pedro Cabral Santo </p>
<p>Ariel Pinheiro, Patrícia Guimarães, Ana Sofia Martins, Miguel Faro, Ana Viotti, Sibila Lind, Tiago Gonçalves, Carlos Amaral, Carolina Ferreira, Catarina Ruas, Darsy Fernandes, Nikita Novitsky, Inês Ferreira, Sofia Caldeira, Carolina Soares, Maja-Escher </p>
<p>Ser finalista é ter chegado ao limite de um território, ter atingido uma meta ou, ainda, como diz o dicionário, “ter atingido a parte mais perfeita de alguma coisa”. Hoje é esse o sentido mais legítimo da perfeição: acabar aquilo que se começou atingindo a perfeição das coisas na certeza da sua incompletude, da sua contingência e da sua circunstância. Os objetos perfeitos que daí resultam aí estão, oferecidos como espetáculo, i.e., encenados na teatralidade que os dá a ver como objetos que se mostram à visão num lugar que é, antes de tudo, um instrumento visual.<br />
Situados na convergência do exercício da teoria e do olhar a que ela alude (porque na cultura ocidental todo o conhecimento nasce e estrutura-se no ato de ver), e da sua aplicação prática que fixa numa imagem aquilo que se observou, estes objetos dão-se a conhecer sob o conceito de panóptico que os finalistas decidiram como figura tutelar da sua exposição. E sabemos como o panóptico sendo, na leitura de Foucault, a “figura arquitectural” que Jeremy Bentham inventou no século XVIII como modelo de prisão, mais não é do que um dispositivo que permite “ver sem parar e reconhecer imediatamente”. Este dispositivo (esta “armadilha da visibilidade” como o designa Foucault) marca duplamente uma separação: a de um interior – lugar onde são exiladas todas as diferenças – e um exterior – lugar onde é exercido o poder de as exilar e a de uma separação que, fundada no próprio ato de ver e na distância que ele implica, instaura uma fractura que quebra a reversibilidade do próprio olhar porque ou se vê sem nunca ser visto ou se é visto sem nunca ver, na definição de um novo regime de visibilidade no qual a condição de ser visível se torna o programático objecto de uma invisível vigilância exercida já não sobre a comunidade abstratamente considerada mas sobre um indivíduo concretizado na visão que o vigia.<br />
Este é o cenário conceptual da exposição deste grupo de alunos finalistas da primeira edição da licenciatura de Arte Multimédia estruturada segundo as diretivas de Bolonha, cujo início teve lugar no ano lectivo de 2008-2009 permitindo, nos dois últimos anos, e depois de um primeiro ano comum, a opção por uma das variantes do curso: Ambientes Interativos, Animação, Audiovisuais, Fotografia e Performance/Instalação. </p>
<p>É nesses domínios que as obras expostas se inscrevem, sendo eles que se iluminam com a sua presença que é afinal a presença da perfeição do humano na certeza da sua incompletude, da sua contingência e da sua circunstância.<br />
Em Cicatriz, Carlos Amaral faz da pele fotografada, não um lugar de inscrição, mas o ecrã onde as marcas agora luminosas nos devolvem o informe que sob ela existe e onde, de acordo com Valéry, o humano se suspende. Nas seis imagens de Desconstrução, Catarina Ruas trabalha a relação entre um original e as suas reproduções a partir de um duplo conceito de vazio: o que a sua proliferação provoca e o que decorre do desinvestimento afectivo presente no ato que delas se apropria. Aqui Dentro é a animação em que Darsy Fernandes e Nikita Novitsky contam a história de um rapaz que viaja pelo seu passado nele descobrindo o impossível equilíbrio entre o seu mundo interior e o mundo existente fora de si. O video Reflexo Reflectido, de Miguel Faro, mostra à escala real a interacção entre uma imagem e o seu reflexo e a porosidade espacial que as define sempre que é ameaçado o frágil limite que as separa. Na animação Sem-título, de Patrícia Guimarães, uma mulher e um homem feitos de carne comem(-se) antropofagicamente a matéria do seu próprio corpo. Através da animação do positivo e do negativo de três quadrados, Tiago Gonçalves explora, em Loop, o compromisso entre o movimento potencial da peça e a reminiscência do movimento que a constrói por acção de um sujeito. Na instalação Lavadeiras, Ariel Pinheiro figura no sabão azul e branco e no cheiro que ele exala a delicadeza de um feminino tradicionalmente associado à lavagem da roupa. Na vídeo-instalação Ponto de vista. Ponto de fuga, Carolina Soares demonstra a ontologia e a reversibilidade da imagem, sempre confundida com o feminino, a partir da sobreposição entre o ponto de vista, o ponto de fuga e os clarões luminosos que intermitente e momentaneamente a apagam. Dada Excites Everything, de Sofia Caldeira, é uma animação onde o movimento, jogado em ambíguas referências entre as quais se inscrevem os postulados dadaístas, gera sequências visuais que escapam à tirania da imobilidade da razão. Na série de fotografias intitulada Aus! Ich bin Josefina, Sibila Lind faz coincidir o retrato de uma mulher com o retrato do lugar de uma ausência que ela insiste em habitar através do seu corpo que recorda. A partir da observação das estufas e das estruturas das hortas urbanas de Londres, cidade em que viveu no âmbito do programa Erasmus, Maja Rieger, na instalação Compressed Nature, questiona o fenómeno urbano contemporâneo na medida do cerco que ele impõe a uma Natureza sempre disposta a cooperar. </p>
<p>Dias de Cão é o título encontrado por Inês Ferreira para o conjunto de fotografias tipo-passe que, despojadas do artifício da fotogenia, aludem aos dias que passam na clausura do auto-retrato. No vídeo How long Have I been here, Ana Sofia Martins faz depender a identidade e a sua perda iminente da não linearidade do tempo e da memória e da impossibilidade de retorno que se instala no vazio que o som da peça paradoxalmente sublinha. Na animação que Carolina Ferreira desenvolveu no Brasil no âmbito do programa Erasmus, O Tucano do Morro da Batucada é simultaneamente o personagem em que a natureza delega a celebração da sua exuberância e o signo da presença de uma cultura indígena na língua brasileira. Na série de fotografias Tempo-corpo, Tempo-máquina, Ana Viotti faz de uma cadeira o palco onde o corpo oscila entre a representação da mecanicidade do tempo e a sua organicidade.<br />
Um número quantifica e identifica. Como os números de polícia que nas ruas identificam as casas e cujo princípio é seguido na ordenação dos números das portas nas salas de todas as escolas ou como os números que nas estatísticas oficiais quantificam o insucesso ou o sucesso escolar. 3.07 foi o lugar de muitos encontros e, neste contexto, tornou-se o lugar dessa memória, como o entende Pierre Nora, feito de lembranças e esquecimentos cristalizados em documentos e monumentos. Mas é também um lugar na memória, no sentido que para ele encontra Hans Belting, que é o do lugar como dispositivo ao qual eles voltam para poderem continuar a existir. É nesse lugar que eu vejo e oiço ainda estes e outros alunos; é daí que, em meu nome e em nome de todos os docentes que com eles trabalharam, lhes agradeço o seu sucesso, desejando que continuem a saber ser aquilo que foram na sua passagem pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Desejando sobretudo que cada um deles possa encontrar e exercitar a sapiência tal como Roland Barthes a definiu no fim da sua lição inaugural no Colégio de França: “Sapientia: nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria e o máximo de sabor possível”. </p>
<p>Maria João Gamito </p>
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		<title>Programação 2011</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 17:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://transboavista-vpf.net/wp-content/uploads/2011/11/conviteFrente1-640x426.jpg" alt="conviteFrente1" title="conviteFrente1" width="640" height="426" class="aligncenter size-large wp-image-2334" /><br />
<img src="http://transboavista-vpf.net/wp-content/uploads/2011/11/convite-verso1-640x426.jpg" alt="convite-verso1" title="convite-verso1" width="640" height="426" class="aligncenter size-large wp-image-2335" /></p>
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		<title>Revista Magnética, Novembro 11</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2011 14:18:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://transboavista-vpf.net/wp-content/uploads/2011/11/INFILTRATION-552x800.jpg" alt="Revista Magnética, Novembro" title="Revista Magnética, Novembro" width="552" height="800" class="aligncenter size-large wp-image-2330" /></p>
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		<title>CONCURSO CURADORES INDEPENDENTES 2012</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2011 16:48:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
				<category><![CDATA[actividades]]></category>

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		<description><![CDATA[Criada em 2006, a Plataforma Revólver tem-se afirmado como espaço independente dedicado à realização de exposições e residências artísticas. Este ano, inauguramos o programa CCI (Concurso Curadores Independentes), que pretende envolver curadores ou colectivos de curadoria, convidando-os a candidatarem-se para a realização de um projecto pontual no espaço da Plataforma Revólver: uma exposição colectiva a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Criada em 2006, a Plataforma Revólver tem-se afirmado como espaço independente dedicado à realização de exposições e residências artísticas. Este ano, inauguramos o programa CCI (Concurso Curadores Independentes), que pretende envolver curadores ou colectivos de curadoria, convidando-os a candidatarem-se para a realização de um projecto pontual no espaço da Plataforma Revólver: uma exposição colectiva a realizar-se em Setembro de 2012.<br />
Através do CCI, a Plataforma Revólver tem o prazer de apresentar uma iniciativa para apoiar curadores nacionais e internacionais, de maneira a desenvolverem e concretizarem os seus projectos expositivos.<br />
A Plataforma Revólver será responsável pela organização e montagem da exposição, assim como pela publicação de um catálogo.<br />
Este concurso é destinado aos profissionais da cultura, mas é aberto a todos os que desejem participar.</p>
<p>Como candidatar-se<br />
Os interessados devem enviar:</p>
<p>·          biografia do curador ou colectivo de curadoria</p>
<p>·         sinopse do projecto (com 700 caracteres) </p>
<p>·         cv dos artistas convidados (mínimo cinco artistas)</p>
<p>Membros do Júri:<br />
Pedro Cabral Santo (Artista plástico e professor assistente na Universidade do Algarve), Victor Pinto da Fonseca (Director da Plataforma Revólver), João Silvério (Curador do projecto EMPTY CUBE).</p>
<p>Envio de candidaturas para plataformarevolver@gmail.com (com o assunto: Concurso Curadores Independentes CCI).</p>
<p>Data limite para apresentação de candidatura: 30 de Novembro 2011.<br />
O resultado da selecção será divulgado no dia 18 de Dezembro 2011.</p>
<p> _________________________________________________________________________________</p>
<p><strong>INDEPENDENT CURATORS CALLING | 2012</strong></p>
<p>Established in 2006, Plataforma Revólver is a contemporary art organization based in Lisbon, housing several artists&#8217; studios and offering a wide program of exhibitions and international artists’ residencies. This year, we launch the ICC (Independent Curator Calling) program, aiming to engage curators or curatorship collectives, inviting them to create an exhibition project to be presented in September 2012.<br />
Through the ICC, Plataforma Revólver has the pleasure to present a program intended to support national and international curator practices, so as to make possible the development and concretization of their exhibition projects.<br />
Plataforma Revólver will be responsible for the organization and setting up the exhibition, as well as the publication of a catalogue.<br />
This calling is primarily destined to professionals in the culture domain, albeit it is open to all wishing to participate. </p>
<p>How to Apply<br />
The application must contain:</p>
<p>·         The curator or collective’s biography</p>
<p>·         The project’s synopsis (with 700 characters)</p>
<p>·         The invited artists’ CVs (five artists minimum)</p>
<p>Panel of Judges:<br />
Pedro Cabral Santo (Artist and Assistant Professor at Universidade do Algarve), Victor Pinto da Fonseca (Director of Plataforma Revólver), João Silvério (EMPTY CUBE Project Curator)</p>
<p>Applications must be sent to plataformarevolver@gmail.com  (subject: ICC Independent Curator Calling)</p>
<p>Application deadline: November 30th,  2011<br />
Publication of results: December 18th, 2011.</p>
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		<title>COLECTIVA</title>
		<link>http://transboavista-vpf.net/2011/10/colectiva/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 15:03:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
				<category><![CDATA[creamart]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a target='_blank' title='ImageShack - Image And Video Hosting' href='http://imageshack.us/photo/my-images/594/convitecolectivafinalwe.jpg/'><img src='http://img594.imageshack.us/img594/4364/convitecolectivafinalwe.jpg' border='0'/></a></p>
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		<title>FOTÓGRAFOS VIAJANTES &amp; VIAGENS DE FOTÓGRAFOS</title>
		<link>http://transboavista-vpf.net/2011/10/fotografos-viajantes-viagens-de-fotografos/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 14:38:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
				<category><![CDATA[plataforma]]></category>

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		<description><![CDATA[
“O viajante, no seu movimento incessante, vê tudo à distância. Silhuetas recortadas contra a paisagem. Imagens arquitecturais se destacando no horizonte. Pessoas e lugares que pretende encontrar depois da próxima curva. A viagem é produção de simulacros, de um mundo puramente espectral erguido à beira da estrada.&#8221;(1) 
“Será que o drama contemporâneo não vem do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a target='_blank' title='ImageShack - Image And Video Hosting' href='http://imageshack.us/photo/my-images/267/convitefotografosfinalw.jpg/'><img src='http://img267.imageshack.us/img267/2635/convitefotografosfinalw.jpg' border='0'/></a></p>
<p><em>“O viajante, no seu movimento incessante, vê tudo à distância. Silhuetas recortadas contra a paisagem. Imagens arquitecturais se destacando no horizonte. Pessoas e lugares que pretende encontrar depois da próxima curva. A viagem é produção de simulacros, de um mundo puramente espectral erguido à beira da estrada.&#8221;</em>(1) </p>
<p><em>“Será que o drama contemporâneo não vem do fato de que o desejo de errância tende a ressurgir como substituição, ou contra o compromisso de residência que prevaleceu durante toda a modernidade?”</em> (2) </p>
<p>Em registo fotográfico, presentificam-se as imagens de existências, encenações e/ou simulacros com tópicos de genuinidade. Assim se demonstram subjetividades de autores nos territórios estéticos da fotografia.<br />
Numa fotografia, supostamente, congela-se o tempo e o espaço. Congelam-se as figuras individuadas no tempo pois deixam de ser pessoas e talvez sejam, transitoriamente, personagens. Estas localizam-se ou ausentam-se, consoante os casos e as estratégias estéticas dos autores. Inequívoca é a decisória presença do fotógrafo-viajante, aquele que concretiza acto e obra. Não é verdade? </p>
<p><em>“Em minha opinião, não há nenhum [caminho] mais atraente do que andar no encalço das próprias ideias, tal como o caçador persegue a caça, sem procurar manter um dado caminho.”</em> (3) </p>
<p>O próprio fotógrafo-viajante torna-se visível – em proposição de autorretrato – ou oculto, consoante sua intencionalidade ou desejo. Mas é a sua afirmação de sujeito/agente artístico que determina a produção das fotografias que o “antecedem”, o estimulam e o acompanham a posteriori. Através do seu ato, que concebe e concretiza obra, mantém laços com as imagens fotográficas, conferindo-lhes – ad simultaneum – autonomia e projeção. Os fotógrafos-viajantes cativam pessoas e lugares, convertendo-os, respetivamente, em figuras/personagens e em paisagens. </p>
<p><em>“A paisagem não se entrega. O que você vê não se fotografa.”</em> (4) </p>
<p>As paisagens, com alguma frequência, correspondem a tempos de respiração, quer do pensamento, quer da ação/atividade do fotógrafo. O ritmo da viagem decide os intervalos na paisagem, as consequências de sobrevivência de ideias ou de substâncias. Fragmentos, parcelas ou secções presidem às escolhas espontâneas ou morosamente destinadas pelo autor em jornadas, caminhadas e transportando-se. O veículo em que desloca condiciona o ritmo da captação de imagens; os momentos em que dispõe uma paragem ou a continuidade do seu movimento. As tomadas de vistas são distantes, conforme o viajante as realiza enquanto condutor de um automóvel (p.ex.) ou não. Assim, está-se perante tomadas de vista com ponto de fuga numa estrada ou encarada na lateral, esperando aquilo que se vai descortinando. Se a deslocação ocorre num comboio, a ambiguidade relativa entre a paisagem (aparentemente em movimento) e a ilusão hierática do viajante, gera imagens de uma cativação insustentável e precária. A paisagem que é consequente da mobilidade da viagem anatomofisiológica assume pressupostos diferenciados de uma viagem de indexação psicofisiológica…e assim por diante. A viagem preenche, recheia ou esvai a paisagem, propiciando uma reentrado no si mesmo do fotógrafo-viajante: </p>
<p><em>“A paisagem em volta esvaziada de sentido, reflectindo-se nos meus olhos, brotava dentro de mim…” </em>(5) </p>
<p>Definitivamente as pessoas alocam-se a lugares – mesmo que estes se possam configurar, teoricamente, enquanto “não-lugares” (seguindo Marc Augé) e, consequentemente, os espaços efetivos transcendem o tempo real, expandindo-se e adquirindo uma simbologia transfiguradora – independentemente de seu índice ou percentualidade documental. </p>
<p>“Julgamos que nos libertamos dos lugares que deixamos para trás de nós. Mas o tempo não é o espaço e é o passado que está diante de nós. Deixá-lo não nos distancia. Todos os dias vamos ao encontro daquilo de que fugimos.” (6) </p>
<p>Seja um deambulador, flâneur, Wanderer, peregrino, caminhante… et allie… uma qualquer, entre as distintas tipologias de viajantes…os fotógrafos asseguram para nós a autenticidade, tanto quanto nos garantem uma gestante ilusão. Marcam, estipulam ou estabelecem com rigor – que pode oscilar entre o topográfico e o metafísico &#8211; lugares e territórios específicos, onde as confluências de imaginário e real definem o humano, onde paisagem e natureza entrelaçam vidas. </p>
<p>* Ainda para ti, passeante dileto no mundo. </p>
<p>(1) Nelson Brissac Peixoto – “Miragens”, Cenários em ruínas – a realidade imaginária contemporânea, Lisboa, Gradiva, 2010, p.137<br />
(2) Michel Maffesoli, Sobre o Nomadismo, Rio de Janeiro, Record, 2001, pp.23-24<br />
(3) Xavier de Meistre, Viagem à roda do meu quarto, Lisboa, &#038; etc, 2002, p.25<br />
(4) Bernardo de Carvalho, Mongólia, São Paulo, Companhia das Letras, 2003, p.41, p.115<br />
(5) Yukio Mishima, O templo dourado, Lisboa, Assírio &#038; Alvim, 1985, p.148<br />
(6) Carlos Drummond de Andrade – “Mãos dadas”, Antologia Poética, Lisboa, Dom Quixote, 2002, p.149<br />
(7) Raymond Depardon, Errance, Paris, Seuil, 2000, p.56. </p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- </p>
<p><em>“Dans un voyage, on évolue, on change, on se transforme. Et souvent, on rentre et out est annulé par le retour. »</em> (1) </p>
<p>Agosto de António Júlio Duarte resultou de um percurso, curiosamente, desenvolvido em Portugal, se atendermos às latitudes e longitudes das viagens do autor que, com maior frequência, o conduzem pelo Oriente e aí o estabilizam por períodos de duração significativa.</p>
<p><em>“O vazio “em si” e em conotações, o “nada”, o branco, o espaço em branco, o silêncio, a pedra, a impossibilidade, a solitude, o desconhecido, as potencialidades, etc. e seus valores criativos na filosofia e na estética do extremo oriente (e comparativamente, alhures).” </em>(2) </p>
<p>O display em dípticos orienta o meu olhar as dicotomias, ambiguidades e/ou consolidações, evidenciáveis durante uma viagem. A força de um rosto, a morfologia de elementos afastados ou próximos ao espectador propiciam um jogo quase de cena (parafraseando o título do filme de Eduardo Coutinho). Entenda-se, a flexibilidade manifesta no acto de recepção estética, gerida pela efabulação perceptiva-afectiva-conceptual, pertença de cada um, exercendo sua identidade pessoal sobre o produto de artístico de outrem &#8211; interpretação falar-se-á, mas não apenas…Assim, sabe-se que a definição imaginal de díptico conduz a um “diálogo do visível”, parafraseando René Huyghe, pois o confronto de referenciais “identificados” (diferente de se saberem “reconhecidos” ou “parecidos”) é pura sedução e volúpia para as relacionalidades ressaltarem. As notas identitárias patentes em cada uma das unidades que constituem os 15 dípticos abordam elementos visuais que cativaram pessoas, objetos, fragmentos de paisagem; oscilando entre o afastamento do “alvo” fotografado e sua proximidade; propondo reconhecimentos ou conduzindo para equivocidades percetivas visuais, ricas em pensamento e afeto. É inevitável a emergência de certa avidez para “reconhecer”, de buscar o parecido dentro dessa caixa de memória (desse arquivo mental/imagético) que cada espectador transporta em si; é acto intuitivo, semi-inconsciente e/ou implícito na “apropriação estética” que advém das fotografias enquanto tal. </p>
<p>A vasta obra de fotografia de Caio Reisewitz organiza-se em séries específicas, refletindo uma identidade documental que se apropria da paisagem, plasmando-a em imensidão que estreita a alma do autor com os espectadores. A dimensão sublime que se desprende de suas fotografias é de uma evidência subjetivante e, em simultâneo, glosando os parâmetros conceituais que Kant, depois de Edmund Burke, soube definir. Sublime dinâmico e sublime grandioso (ou matemático) pontuam, nalguns casos uma mesma imagem, noutros um privilegia e expande-se sobre o outro. Mamangua enfrenta aquele que vê e sabe contemplar, demorando-se na paisagem adentro. À semelhança de outras séries do fotógrafo, o elemento| matéria dominante é a água, estabilizando o recorte, na vegetação, através de uma afirmação “terra” que nos lembra as reflexões sobre a imaginação poética desenvolvida por Gaston Bachelard. Mas a dominante, no caso da fotografia de grande formato, presente nesta mostra é a água. A água tranquila e parada que não se confunde com estagnação numa acepção castradora ou à qual esteja arredada a vida pulsátil. Seria impossível não associar as significações matriciais que, com frequência, reverberam no respeitante a este elemento (em termos cosmogónicos e cosmológicos). Mas, a imagem ultrapassa mais e mais, assegurando uma experiência estética única para cada um, quanto sabemos seja um dos tópicos adstritos a definição de sublime. A presença do espetador ausenta-se num mundo onde evanescência e lucidez são cúmplices; onde a dimensão estética, a artisticidade é a efetividade imprescindível de uma natureza consciente e em causa sócio-cultural. A correnteza que se queda muda, expondo em visbilidade o silêncio, atinge o âmago de uma memória circular filogenética, quanto também ontogenética. O espelho de água absorveu a ausência ou a presença do humano, desde os tempos primordiais: nós ficamos nesse tempo de suspensão, interpelados e vigiando para que o mundo seja um Cosmos ordenado e redimido de ações irreversíveis. </p>
<p>My Unknown friends e Fotografados, todas as presentificações pessoais que Cristina Ataíde cativou durante uma de suas muitas permanências na Índia, focam-se na complementaridade intrínseca do que sejam as diferentes componentes constitutivas de “fotografar” e “fotografia”. Em locais específicos, dentro de um cenário que é o real envolvente em sua potência extrema, a artista fotografou aqueles que exerciam seu acto de fotografar outrem e, por outro lado, tornou os “anónimos” em sujeitos identificados na sua pose convertendo-os em retratados. O retrato passa a alojar um sujeito, estando comprometido &#8211; ele mesmo e precisamente &#8211; por relação de sujeito: implica um sujeito suposto, por referência a si. O sujeito do retrato é o sujeito que é o próprio retrato. No caso de uma das sequências da série de Cristina Ataíde, verifica-se existir um desdobramento, pois a artista fotografa aqueles que exercendo o ato de fotografar…; propiciando e expandindo concatenações intersujetivas entre retratados, retratos e aqueles que retratam (que concebem e autorizam o retrato…).<br />
Tal afirmação não equivale àquilo que possa ser “tachado” de excesso subjetivado. Não, ao que me refiro é à inevitabilidade. A fotografia é soberana, decide, alimentando-se e consubstancializando-se no domínio da inevitabilidade.<br />
O sujeito no retrato que fica da paisagem, lembrando Bernardo de Carvalho que assinalou: “Você não está procurando um lugar. Está procurando uma pessoa.” (3) </p>
<p>Em 2009, Marcelo Moscheta desenvolveu uma residência artística em Cerveira (norte de Portugal). Daí resultaram diferentes séries de trabalhos, posteriormente concretizados, entre os quais os registos fotográficos emancipados, subsumados na séria Tracked Pictures. Nas imediações da casa onde ficou alojado, o artista brasileiro foi pesquisando pormenores, detalhes e deles tomou posse. Daí resultaram imagens fotográficas, reveladoras de uma cúmplice proximidade que o próprio sabia encontrar e que os demais tomam como lugar inominado e não-reconhecido, atendendo à subtil decisão de tomada de vista, enquadramento e intencionalidade. As imagens, tomadas por um dispositivo digital foram trabalhadas a posteriori. A sequência de intervenções mínimas, que o fotógrafo realizou, traduziu-se em séries gráficas, de quase equações encriptadas, espécie de relato dos procedimentos para quem saiba decifrar essa “escrita” que ladeia a fotografia, uma a uma.<br />
Moscheta, de forma rigorosa, tem pretendido marcar as coordenadas de locais que regista ou de onde desloca materiais, através de códigos GPS. Esse método equivale a opções estéticas, de pensamento artístico que direcionam para a realização de ações a converter finalmente em obra. O bucolismo destes excertos de paisagem que de estranha lhe passou a ser familiar, progride numa acepção de viagem que sedentariza transitoriamente o autor a um lugar de destino. O questionamento do que se entende seja a duração na transitoriedade semântica e pragmática da viagem, coincidem numa experiência prolongada na resistência da obra fotográfica. Tempos distintos cohabitam e as memórias antecipam-se no ato de virem a ser, não devendo confundir-se com “lembranças”. Os locais de paisagem dentro das fotografias de Moscheta podem ser seguidos por nós, numa busca intermedial entre algo é remetido para um destinatário e a possibilidade deste fazer o rastreio progressivo da sua localização até ao momento em que o irá receber… </p>
<p>Mariana Viegas desenvolve presentemente um projeto de pesquisa que concilia literatura e fotografia, ganhando corporalidade através do display das suas peças. A partir de Walden ou a Vida nos Bosques, de Henry David Thoreau… O livro foi escrito quando o autor americano &#8211; de vocação transcendentalista – passou a habitar uma cabana em Walden Pond (Massachusetts) abandonando a cidade onde vivia. Esta tensão para a transição, envolve a condição de viagem. Tanto efetiva deslocação, pois trasladação de sua pessoa para assumir “uma vida nos bosques”, com todas as consequências daí advindas, que recordam as tradições ingenuista e utopistas, desde o Emile de Rousseau até às ideologizações de Taine, Proudhon… propugnando uma estética doutrinária de cariz sociológico utópico e operativo…permitindo-me certas extrapolações. Essa densidade da escrita decisória que domina a vida, num quotidiano que não é destino de viagem mas é, por deliberação, uma permanência, desdobram-se um dos scrolls – enquanto display de duas unidades daquilo que se dirige para uma obra “completa” ainda em devir. </p>
<p>O livro representa a paisagem ideal – interpretada conceptualmente como um lugar que encontramos quando nos focamos no que temos diante dos nossos olhos: o tempo presente – representando para mim, desta forma, o momento fotográfico.<br />
O processo de trabalho combina a leitura do texto com a experiencia da natureza que se encontra na vida de todos os dias.<br />
Neste contexto serão realizadas fotografias de um lugar nas imediações da Arrábida que tenho vindo a fotografar ao longo dos anos e outras, no lugar onde vivo actualmente. (4) </p>
<p>A artista procura transpor em imagens as vivências narradas pelo escritor, interrelacionando-as às suas experiências pessoais, transcrevendo excertos, “compostos a partir do original mas apresentando pequenas fissuras que provocam uma nova leitura do mesmo, abrindo a leitura para uma realidade actual e mundana.” (5) </p>
<p>Nos apontamentos alusivos à Ynaiê Dawson na Série Linhas de Passagem, a fotógrafa refere: </p>
<p>Interessa-me a idéia da viagem como processo, como metáfora da própria vida, um trilhar de caminhos sem destino certo, em busca de (auto-) conhecimento. Não importa aqui de onde se partiu e com que destino, importa apenas o estar ‘entre’. O que se descobre ou se revela ao longo desse ‘caminhar’, contínuo interseccionar das paisagens interior e exterior, contínuo fluxo de sensações a nos tomar conta da alma?<br />
A fotografia, em si mesma sempre um ‘entre’ – pressupõe um antes e um depois, temporal e espacial – e que por excelência conserva, busca aqui conservar apenas o desejo latente que desencadeou a produção de cada imagem e que continua latente nela, sempre se transformando, renovando, devindo desejo a cada vez que se estabelece um novo contacto entre as fotografias e um sujeito.(6) </p>
<p>A concatenação de imagens fotográficas apresentadas, gerem intervalos que correspondem a etapas de jornadas empreendidas pela artista nos 2 últimos anos. Paralelamente a um trabalho académica em decurso, as viagens verificavam-se imprescindíveis.<br />
As reflexões que Ynaiê Dawson procurou em autores emblemáticos da filosofia, sociologia, estética e literatura precisavam seu espelhamento nos atos de conceber as viagens e, obvio, de as concretizar. [De várias conversas com Ynaiê, por motivos de sua investigação, surgiu precisamente a proposta, que me foi endereçada, para que esta curadoria fosse delineada.]<br />
Atendendo à história e estética da fotografia no séc. XX, depara-se com casos paradigmáticos de fotógrafos que desenvolveram viagens, com um ritmo quase compulsivo, sendo os produtos de suas deslocações, permanências e trânsito consubstancializados em fotografias incomparáveis.<br />
Entre os muitos autores que se poderiam mencionar, reduziria a citação a Raymond Depardon, Bernard Plossu, Luc Delahaye… As motivações para a viagem prendem-se com antecedentes e contextos diversificados que se relacionam nalguns casos com a tradição de fotógrafo em cenários de conflito, fotografia mais diretamente documental ou projetos mais pessoalizados e auto-identitários. Se bem que, a meu ver, todos projetos fotográficos são em certa escala e enfoque de vertente auto-identitária quanto societária.<br />
Com frequência os fotógrafos publicam livros com imagens fotográficas associadas a narravtivas e/ou reflexões aprofundadas sobre os seus projetos, permitindo assim a um público mais vasto o conhecimento de suas fundamentações, ideias e realizações em obra. </p>
<p><em>La quête du « lieu acceptable » est la quête du « moi acceptable ». C’est à dire d’une vie assumée comme sienne. L’homme qui s’exprime ainsi est un voyageur, un nomade, un photographe, un cinéaste etc. Mais d’abord un individu qui se cherche et qui ne trouve pas. Ou plutôt qui définit un angle, un cadre, un sujet (la route), une perspective, celle du chemin justement.</em>(7) </p>
<p>A busca de lugares, passíveis de serem denominados, quanto eventualmente “reconhecidos” pela vida do espectador, quase se projecta naqueles lugares (aparentemente) anónimos, propostos pelo fotógrafo. Promovendo extrapolações geográficas que galgam países e regiões…o “exotismo” adentro de uma paisagem portuguesa ou de uma qualquer e outra radicação, providencia, transforma e concretiza, de modo intenso, a ânsia de viagem de e para um público – doseando ou expandindo seus desejos ou demandas. Ou seja, e podendo aplicar-se a uma certa teorização da (por assim a designar) acção dos fotógrafos-viajantes, entendo como um dos denominadores comuns entre os 6 casos patentes (e em muitos outros que poderia referir) a constatação de certa gula de imagens em devir, convertidas em potenciais alvos de fixação por parte de um fotógrafo-autor.<br />
Ao longo do friso imaginário que – para mim – o ver os dítpticos implica, confrontam-se aproximações e afastamentos, detalhes, pormenores e dissidências antropológicas e societárias que a poiésis subjacente, sabe ser coerente…, pois a vida, o mundo se constituem a partir de dissemelhanças, de similitudes, de ausências ontológicas mesmo quando todo aquele “material” que se converte em visibilidade aparentemente expandida, cujos conteúdos semânticos viabilizam campos perceptivos e argumentativos infindos. A decisão de “enxergar” na imagem fotográfica determinado fragmento do suposto “real” surge conotado com a circunstância do artista (lembre-se Ortega y Gasset). </p>
<p>Talvez quando se viaja, se permaneça no mesmo “lugar”, pensando com Guimarães Rosa:<br />
<em>“Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais.”</em>(8) </p>
<p>RJ | BR, Agosto, Setembro 2011. </p>
<p>* Ainda para ti, passeante dilecto no mundo. </p>
<p>(1) Raymond Depardon, Errance, Paris, Seuil, 2000, p.56.<br />
(2) Pedro Xisto – Lumes, uma antologia de Haikais, SP, Berlendis &#038; Vertecchia, 2007, p.17<br />
(3) Bernardo de Carvalho, Mongólia, São Paulo, Companhia das Letras, 2003, p.41, p.115<br />
(4) Mariana Viegas, excerto inédito, Agosto 2011.<br />
(5) Idem, ibidem<br />
(6) “Nesse contexto, a fotografia é tida não como representação, mas sim expressão. Expressão da multiplicidade de sensações ou intensidades de um sujeito, expressão de uma paisagem interior que encontra-se em constante processo de transformação, sempre a (re)criar-se a partir do apre(e)nder as forças das paisagens.” Ynaiê Dawson, excerto inédito, Julho 2011.<br />
(7) « Rêves d’errances » &#8211; Pierre Givodan in Raymond Dépardon, Errance, Paris, Seuil, 2000, p.181.<br />
(8) João Guimarães Rosa &#8211; “A terceira margem do rio”, Primeiras Estórias, Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, (1962), 2004, p.80 </p>
<p>A PLATAFORMA REVÓLVER é uma associação privada, independente &#8211; sem fins lucrativos. Promove a arte contemporânea através da organização de exposições e de residências, e participa activamente na difusão e no diálogo internacional da arte.<br />
A Plataforma Revólver construiu um espaço activo para o público de Lisboa, plataforma de novas ideias acerca da arte contemporânea; produz exposições temporárias, oferecendo a possibilidade aos artistas plásticos para poderem apresentar e discutir os seus trabalhos, colmatando, deste modo, um dos problemas fundamentais com que se debatem os novos criadores: a dificuldade em encontrar um lugar a partir do qual se façam conhecer, expressando-se e, simultaneamente, receber o contacto com o público – vital para que os seus projectos evoluam &#8211; submetendo-se ao seu olhar, olhar esse que poderá ser absolutamente crítico ou complacente. Apesar do foco ser a arte que os mais jovens actualmente fazem, o programa da Plataforma Revólver também inclui artistas bem-conhecidos, estabelecidos. </p>
<p>A Plataforma Revólver apoia e estimula a criação de arte contemporânea, em concordância com o carácter da prática artística nos dias de hoje, integrando as exposições vários meios e métodos de produção. A composição das exposições é ditada, por um lado, por um comissariado exterior à direcção do espaço, por outro, pela preocupação com a arte contemporânea e onde a arte assume um papel no desenvolvimento da cultura cívica e do pluralismo. </p>
<p><em>Dizer que a obra de arte faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. A obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida. </em><br />
(Sophia de Mello Breyner) </p>
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		<title>INFILTRATION // Le privilège des chemins</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 14:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>transboavista</dc:creator>
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«Acreditar no mundo é aquilo que mais falta nos faz; perdemos o mundo por completo, desapossaram-nos dele. Acreditar no mundo é também suscitar acontecimentos, mesmo pequenos, que escapem ao controlo ou façam nascer novos espaços/tempos, ainda que de superfície ou volume reduzidos.»

Gilles Deleuze, Pourparlers, Paris, Éditions de Minuit, 1990
«Sou o meu próprio governo.»

Gustave Courbet
Intrinsecamente produtora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="ImageShack - Image And Video Hosting" href="http://imageshack.us/photo/my-images/703/convitea5versoinfiltrat.jpg/" target="_blank"><img src="http://img703.imageshack.us/img703/1820/convitea5versoinfiltrat.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
<a title="ImageShack - Image And Video Hosting" href="http://imageshack.us/photo/my-images/195/conviteinfiltrationweb.jpg/" target="_blank"><img src="http://img195.imageshack.us/img195/3761/conviteinfiltrationweb.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p><em><strong>«Acreditar no mundo é aquilo que mais falta nos faz; perdemos o mundo por completo, desapossaram-nos dele. Acreditar no mundo é também suscitar acontecimentos, mesmo pequenos, que escapem ao controlo ou façam nascer novos espaços/tempos, ainda que de superfície ou volume reduzidos.»</strong><br />
</em><br />
Gilles Deleuze, Pourparlers, Paris, Éditions de Minuit, 1990</p>
<p><em>«Sou o meu próprio governo.»<br />
</em><br />
Gustave Courbet</p>
<p>Intrinsecamente produtora de mitos, Lisboa possui uma longa história de espionagem e de actividades clandestinas. Do pessoal ao colectivo, da impostura ao desarreigamento e ao percurso existencial, esta cidade, porta da Europa, questiona uma cultura da acção, da deslocação e do ficcional.</p>
<p>A acção do filme Casablanca desenrola-se durante a Segunda Guerra Mundial, época em que a fuga e a capacidade de dissimular a identidade, o passado, os sentimentos e as convicções moldam a trama do argumento (a cidade de Casablanca era francesa, mas ocupada pelos alemães).<br />
De Paris a Marselha até Casablanca, o nome de Lisboa é uma constante no filme. É a cidade a alcançar para partir para os Estados Unidos e passa a ser a plataforma de todas as fantasias e de todas as vontades para fugir ao nazismo. Só os atalhos serão possíveis, os que permitirão «criar a ilusão». À luz desta referência cinematográfica, a exposição alimenta-se também de uma importante referência literária, a de Fernando Pessoa. Indo buscar o título a um dos seus livros, a exposição tem como ponto de partida a noção de infiltração. Longe de ter uma abordagem didáctica ou demonstrativa, esta exposição é uma reflexão sobre as relações entre ficção e documentário, entre intervenção directa e fábula, já que a noção de filtro permite enunciar um conjunto de novas posturas adoptadas por determinados artistas, quer sejam antropológicas, políticas ou sociológicas.</p>
<p>A dimensão processual e práxica do gesto é um elemento fulcral desta exposição colectiva que reúne 9 jovens artistas franceses. Questionando os níveis de leitura e de apreensão, estes artistas revelam as relações contraditórias ou ambivalentes com os sistemas de pensamento, de crenças e de sociabilidade. Através de acções frequentemente perigosas e programadas, os artistas esboçam narrativas, deslocam e captam realidades para as porem à prova.</p>
<p>Ângulos de ataque, captação e deslocação do real: a infiltração em questão</p>
<p>INFILTRAÇÃO, O Privilégio dos Caminhos é uma exposição que evidencia as tácticas, os procedimentos, as intervenções e as produções de ficções de uma jovem geração de artistas. Prestando especial atenção ao real e ao factício, à objectividade histórica e à criação, ao arquivo e à colecção pessoal, estes nove artistas recorrem a métodos, instrumentos e abordagens diferentes. Construída simultaneamente sobre as suas obras e a descompartimentação das suas práticas, a exposição focaliza-se nas junções entre estética e política.</p>
<p>Destacando modalidades plásticas que oscilam entre estratégias documentais e formas poéticas, os artistas entram nos sistemas de representação dominantes recorrendo aos campos cognitivos da sociologia, da ciência, da antropologia, da teologia e da história.</p>
<p>Lisboa infiltrada, cidade-plataforma às portas do mundo</p>
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<p>Cidade inapreensível, cidade labiríntica, Lisboa, porta do mundo, terá sido fundada por Ulisses numa das suas viagens. Portugal construiu-se com base na sua situação geográfica: um país no extremo da Europa. O regresso da democracia, em 1974, com o 25 de Abril e a adesão à União Europeia, em 1986, marcam o fim do isolamento do país.</p>
<p>No início do grande período de expedições e descobrimentos portugueses, planos e dispositivos secretos, aliados aos seus vastos conhecimentos, permitiram que os navegadores portugueses fossem mestres no domínio marítimo. Mestres que não queriam divulgar os seus segredos, mas que procuravam sempre saber mais. Mais recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, o Eixo e os Aliados dispunham de importantes serviços diplomáticos em Lisboa, um dos únicos locais da Europa dilacerada em que as duas partes se podiam encontrar em pé de igualdade. Ambas procuraram também descobrir segredos nesta cidade, que cedo transformaram num verdadeiro «ninho de espiões». No filme Casablanca, «o avião para Lisboa» era o único meio de fuga e permanece o exemplo mais célebre das actividades secretas que aí se desenrolavam à época. Apesar de ser uma nação neutra durante a Segunda Guerra Mundial, Lisboa tornou-se no ponto de encontro dos espiões, que aproveitavam as ligações estratégicas do país com o Atlântico.</p>
<p>Acto de fictio: O Privilégio dos Caminhos?</p>
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<p>&gt;&gt; Fictio, termo latino que abrange as noções de feitura, fingimento, disfarce e ficção.</p>
<p>Fernando Pessoa afirma que fazer arte lhe parece cada vez mais uma terrível missão – um dever a cumprir arduamente, monasticamente, sem desviar os olhos do fim criador de civilização de toda a obra artística (carta a Cortes-Rodrigues, 19.1.1915). Além de uma crise de identidade do sujeito e do tema da pluralidade do eu, Pessoa põe à prova as vertigens do ser.</p>
<p>Segundo Antonio Tabucchi, Pessoa percebeu o reverso das coisas, do real e do imaginado, a poesia dele é um juego del revés. Nesta perspectiva literária, trata-se de interrogar a narrativa, a narração, a relação que a fábula mantém com o real. De que forma o verdadeiro, o falso e o factício estão interligados com o conhecimento histórico? Os escritos de Carlo Ginzburg, historiador italiano nascido em 1939, defendem a realidade histórica na óptica do testemunho. Chefe de fila da micro história, as suas obras estão repletas de acontecimentos contados sob vários ângulos, de modo a apresentar uma espécie de história microscópica, o mais próxima possível da verdade dos factos.</p>
<p>Percursos oblíquos e heterodoxos – os artistas reunidos para esta exposição afastam-se dos dogmas e das ideias feitas. Não conformista, alegre e subversiva, esta visão do mundo alerta para o perigo, combinando impertinência, surpresa e força: uma busca do desassossego da arte.</p>
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