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Think | Act | Form – materials, origins and affinities
Ana Rosa Hopkins

Curadoria: Victor Pinto da Fonseca

PT/// A Plataforma Revólver recebeu Ana Rosa Hopkins no Edifício Transboavista, para a residência artística da primavera de 2014. Entre abril e maio a artista realizou trabalho específico para o espaço Plataforma Revólver HOTEL. A residência da Ana Rosa Hopkins na Plataforma Revólver, em Lisboa, criou a possibilidade da artista reunir diferentes ideias sobre as quais a sua prática se centra e se confronta; mas permitiu também a exploração e o uso de matérias e objetos que a artista nunca havia antes desenvolvido. A exposição no espaço HOTEL foi a ocasião perfeita para a artista trabalhar no contexto da cidade de Lisboa, na pesquisa dos ambientes que vivenciou, o que lhe permitiu a utilização e articulação – em boa parte – dos materiais agora apresentados em permanente diálogo com as suas ideias e a sua prática conceptual. Quer isto dizer que a residência permitiu à artista refletir sobre a prática no local (site-specific), através de uma noção mais abrangente da produção artística e também de se interrogar sobre o fazer e sobre os diferentes significados do ‘fazer’. Fazer qualquer coisa, não importa com que objecto ou material, foi a ideia desenvolvida no âmbito desta exposição apresentada em Lisboa, no Hotel da Plataforma Revólver. É caso para dizer que a artista britânica, estabelecida em Manchester, encontrou recordações de outra natureza no contacto e na sua relação com a história da cidade de Lisboa, que influenciaram com sinceridade o seu espírito e a sua prática, ao longo do período de quatro semanas da sua permanência ininterrupta no Transboavista.

Ana Rosa Hopkins (nascida em Córdoba, Argentina) é doutoranda no MIRIAD (Instituto de Investigação e Inovação em Arte e Design), na Manchester Metropolitan University intitutlado “The back-story in contemporary sculptural practice: material, history and action and the legacy of Joseph Beuys”. Tem apresentado os seus trabalhos em exposições individuais e coletivas, entre Alemanha, Finlândia, Portugal, Espanha e Brasil. Tem recebido diversos prémios no Reino Unido e em 2013 foi artista convidada na Ebenbockhaus, pelo Município da cidade de Munique. Em 2014, foi premiada com residências e exposições na Plataforma Revolver, Lisboa e a Real Fábrica de Cristales de La Granja, Segóvia, Espanha.

A residência na Plataforma Revólver realizou-se com o apoio do Edifício Transboavista, da MIRIAD e da CML.

EN/// Plataforma Revólver is pleased to host Ana Rosa Hopkins in the Transboavista building for the spring artist residency programme. Between April and May the artist presents series of new specific works for the Plataforma Revólver HOTEL. The residency for Ana Rosa Hopkins at Plataforma Revólver in Lisbon gave her the opportunity to bring together different ideas around the focus and challenges of her practice; but also allowed the exploration and use of materials and objects which the artist had never worked with before. The exhibition at the Plataforma Revólver HOTEL was the perfect moment for the artist to work within the context of the city of Lisbon and explore the environments she experienced, allowing her in many of the works to express a constant dialogue between the materials used and her ideas and conceptual practice. This means that the residence allowed the artist to reflect on the site specific through a broader notion of artistic production and to question the making process and the different meanings of ‘making’. The idea developed in the context of this exhibition presented at Hotel Plataforma Revólver, Lisbon was to do anything, no matter with what object or material. That is to say that the British artist currently living in Manchester came across other types of memories in her contact and relationship with the history of the city of Lisbon, which strongly influenced her spirit and practice over her four weeks uninterrupted stay in Transboavista.

Ana Rosa Hopkins (born in Córdoba, Argentina) is currently undertaking a PhD by Practice in MIRIAD, Manchester Institute for Research and Innovation in Art & Design at Manchester Metropolitan University
entitled “The back-story in contemporary sculptural practice: material, history and action and the legacy of Joseph Beuys”.
She has presented her work in solo and group exhibitions, including Germany, Finland, Portugal, Spain and Brazil and has received several awards in the UK. In 2013 she was a guest artist at Ebenbockhaus in Munich at the invitation of the Municipality. In 2014 she was awarded residencies and exhibitions at Plataforma Revolver, Lisbon, and the Real Fábrica de Cristales in La Granja, Segovia, Spain.

The residence at Plataforma Revólver is supported by Transboavista, MIRIAD and CML.

Publicado a 12 de Maio de 2014

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MORPHOGENESIS – Placebo Effect and Binary Oppositions

Natércia Caneira

Arte, ciência e razão pós-humana

«A razão formal do corpo animal não consiste tanto na mistura (mixtio) quanto na estrutura (structura) peculiar». Georg-Ernst Stahl, Theoria medica vera (1708)
O projecto de instalação «Morphogenesis – The Placebo Effect and Binary Oppositions» da artista Natércia Caneira, baseia-se nos conceitos de «mecanicismo» e de «natureza» que, pelo menos desde o século XVIII, dividem o mundo da ciência (iluminista) do mundo da arte (subjectivista). É composta por dois núcleos que se distribuem por duas salas.
O primeiro núcleo da instalação, onde são expostos componentes de um fruto tropical comestível – a «múcua» do embondeiro –, lembra a natureza como «laboratório» da vida. Com efeito, o fruto tem propriedades comprovadamente benéficas (nutritivas e terapêuticas) para o ser humano quando usado em quantidades normais; no entanto, quando consumido em excesso pode ser maléfico (tóxico) para o organismo, o que acontece aliás com qualquer substância natural, comprometendo a vida humana.
O segundo núcleo lembra o sistema circulatório humano. É constituído por uma máquina bombeadora («coração») ligada a uma rede de tubagens («vasos») onde circula um líquido («sangue»), no qual são injectadas substâncias químicas com propriedades terapêuticas sobre organismos vivos, um dispositivo que desperta óbvias analogias entre a ideia de mecanismo e a de ser vivo, evocando o funcionamento mecânico-orgânico da circulação sanguínea no corpo humano, uma descoberta, feita por William Harvey no século XVII, que está na origem da moderna medicina científica.
Para pensar as dualidades «remédio-veneno» e «qualitativo quantitativo» existentes na natureza, a artista introduz no título da obra a ideia do «efeito placebo», que se baseia na crença (subjectiva) de que uma substância inócua pode ter um efeito terapêutico. Com efeito a eficácia terapêutica de qualquer substância, seja ela qual for (natural ou sintética), não depende apenas das características físico-químicas dos seus componentes, mas também da crença nos seus benefícios, que varia de acordo com a subjectividade individual. Mas com o veneno é diferente: a dose tóxica, embora sendo variável consoante as características biológicas inerentes às particularidades de cada organismo (peso, altura, patologias…), não depende do efeito placebo, ou seja de crenças ou quaisquer outros sentimentos que caracterizam a subjectividade individual. Religando conceptualmente ciência e arte, razão e fé, quantidades e qualidades, Natércia Caneira põe em causa os modos de olhar, pensar e investigar o ser vivo baseados em dicotomias – «natural-artificial», «orgânico-inorgânico», «corpo técnica» – abrindo assim as portas à ideia de uma pós humanidade digital, constituída por seres biotecnológicos, cujas capacidades de interactividade, fluidez, conectividade e outras emergentes associadas à lógica binária (computacional) poderão relegar o ser humano evolutivo tradicional para um plano secundário, de verdadeira obsolescência biológica.
Manuel Valente Alves

BIOGRAFIA
/// Em 2001 completou o curso Avançado de Artes plásticas no Ar.Co em Lisboa. Após vários cursos temáticos centrados na Arte Conceptual, Minimalismo e Land Art, participou no curso “Desenho da Paisagem Urbana” na Escola do Museu de Belas Artes em Boston (SMFA) e concluio em 2004 o curso “Monumentos enquanto Símbolos Culturais e Emblemas de Poder” na Universidade de Harvard também em Boston, Estados Unidos da América.
Com particular interesse pela relação entre o individuo e o espaço que o rodeia, o seu trabalho tem-se desenrolado em torno das questões do corpo e da paisagem, assim como da importância que a deslocação geográfica tem no desenvolvimento do processo criativo de um artista. Desde 2006, os projectos que realizou estão directamente relacionados com os seus momentos de vivência entre outras culturas, onde explora os limites da sua capacidade de adaptação física e psicológica, resultando posteriormente em trabalhos de instalações site specific, fotografia, desenho, pintura e mais recentemente vido-arte. Ultimamente Natercia Caneira tem vindo a abordar o corpo biológico e as suas limitações, concentrando-se na morfogénese e nos avanços científico-tecnológicos como catalisadores de ideais supra-humanos.
Desde 1999 que participa em exposições colectivas, das quais se destacam o Prémio Celpa, Museu Arpad Szenes / Vieira da Silva, em Lisboa e The Line Show na Galeria Genovese / Sullivan, Boston ambos em 2004. Participou também no Sines Local, Verão de Arte Contemporânea, Centro Cultural Emerico Nunes, em 2007. Em 2008 participou na exposição Alternativa 1, no Pavilhão 28, Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. Por fim, e já em 2013, esteve na exposição Open House decorrente da Residência Pedra Sina no Funchal, Madeira.
Das exposições individuais evidenciam-se a sua primeira instalação site-specifc nos Estados Unidos, intitulada Limits of Softness, que decorreu em 2004 na Genovese/Sullivan Gallery, em Boston, Fibra de Luz, em 2006 no Museu Nacional do Traje em Lisboa, No Limits em 2007 no Centro Cultural de Odivelas; Détais Du Maroc, no Instituto Camões – Centro Cultural Português em Rabat, Marrocos e em 2009 Skyline Connect, na Fundação D. Luis I – Centro Cultural de Cascais. Em 2010 a instalação Random no Museu Bernardo das Caldas da Rainha, Portugal

Publicado a 7 de Março de 2014

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WONDERING PATHS

Jan Brož, Matyáš Chochola, Ana Manso, Ana Santos, Ji?í Thýn, Monika Zawadski
Curadoria | Curator Markéta Stará

O ponto de partida para Wondering Paths tornou-se tema e processo gradual de novos encontros, encontros no âmbito da prática artística, mas também da experiência pessoal de um trabalhador cultural que é confrontado com um novo contexto, com os seus processos e meios próprios.
Wondering Paths é um projeto expositivo coletivo que reúne artistas emergentes provenientes da República Checa, Polónia e Portugal. Embora, se possa argumentar que o trabalho dos artistas selecionados desvela uma série de preocupações comuns, como as referências ao modernismo do séc. XX e o seu legado, um interesse pelo primitivismo, a ritualística ou o espiritual, a exposição não deve ser entendida como uma manifestação literal destas tendências, nem como tendo o objetivo redutor de introduzir a prática artística contemporânea em categorias pré-estabelecidas e globalizadas.
O objetivo da exposição é criar um ambiente teatral, um palco onde as formas e referências, que a prática artística globalizada contém funcione como pano de fundo para a elaboração de um argumento. Uma narrativa livre, construída com base em perceções, descontextualizações, descobertas, perdas, ganhos e, frequentemente, encontros (bem humorados) com o outro, que agora se redefine, e que pode, mas não tem necessariamente que abrir os esperados diálogos, pontos de vista e de encontro.

EN
The stage was quite, the lights were low. The objects, artifacts of a “past future” were carefully arranged in the space. They bared a resemblance of a seemingly familiar past, yet their relationships appeared somehow absurd and ambiguous. A sudden yet, subtle movement of a curtain – the partition between the inside and the outside, between the now and the than, interrupted the heavy silence.
An anonymous figure slowly entered the stage. Its footsteps were soft, its movements inconspicuous. With its look wondering around, the figure stopped at every object, carefully examining its nature and its key characteristics. Its look was deep and curious, yet knowledgeable. They were all objects of a not so distant history; the history somehow connected to the modern man, the man of eternal progress, the man that the figure had many times heard off.
The objects however, were not the same, neither were they copies or postmodern remixes. They were new forms, based up on the appropriation, and layering of numerous aesthetic categories and references, characteristic of a recent history. Although pointing to different cultural sources, they all seamed to share a similar engagement with the subject of temporality, layers of accumulated time, a possible infinity, and a sense of an ongoing (post-apocalyptic) past. After all, the break between what was, and what will (or can) be, frequently falls back on the human need to return, but can also result from the fear of confronting, or even becoming the “future other”.
The figure with its eyes wide open stood in anticipation in front of the curtain. The silent observer, shall we say (?). The space behind the curtain where the timeline supposedly continued (or proceeded?) seamed peaceful. The question however remains; on which side of the curtain did our character stand, the side of appearance or the side of disappearance?

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The Wondering Paths exhibition brings together young artist from the Czech Republic, Poland and Portugal.
Rather than aiming to manifest a particular tendency, that would trap all artists within one aesthetic category, the exhibition builds upon the symbolic language of their work, and references to the modern period and its sources, while developing a narrative of its own.
Individual works should thus be perceived as representative characters, or symbolic elements of a theatrical staging, that by the use of subtle humor, touches up on the present condition of man, our changing perception up on issues of temporality, and our ambiguous position towards what the “concept of a future” might be.

Publicado a 6 de Março de 2014

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ADVÉRBIOS DE LUGAR
Conceição Abreu

A paisagem, em Ciência Geográfica, é uma síntese que engloba todos os elementos presentes num determinado local. Aí radicarão os processos naturais e artificiais em diversificado grau de inter-relação, emprestando-lhe um cariz mais natural ou mais humanizado. Embora geograficamente a ideia de paisagem se construa por meio da audição, da visão, do olfacto e do tacto, ela é concebida, sobretudo, no domínio do visível o que, porventura, fundamenta a ideia comum de que é paisagem aquilo que a nossa vista abarca.
Entendida assim a paisagem, supõe-se um movimento operado pelo observador, viabilizando relações entre os objetos que observa – da sua condição de possibilidade de cada “onde”, “aí”, e “aqui” (Heidegger) – e os objetos que recorda nas suas imagens/memórias. Estas experiências conceptuais, perceptuais e imaginativas são as que possibilitam uma conversão da ideia de paisagem numa ideia de lugar (ou não-lugar). Como num tecido que se vai estruturando através de processos que incorporam e aglutinam lados distintos, direitos e avessos, assim o lugar se vai matéria-lizando. Dependendo das intercepções, cruzamentos, relações, afectos, pensamentos e emoções, se vão determinando as leituras dos lugares que serão, consequentemente, distintas para cada observador. Nesse sentido, tecer e olhar invocam acções aproximadas, uma vez que ambas conduzem à tecitura da realidade.
À semelhança de um tecido que se tece a partir do cruzamento dos fios que o compõe, também a nossa percepção de lugar advém das diferentes possibilidades
de conexão entre aquilo que é dado a ver na paisagem e aquilo que já trazíamos na memória.
Advérbios de Lugar, título da Exposição que agora se apresenta, foi pensada como parte desse processo de possibilidades de uma construção de lugar. Tanto a disposição, como as peças que a integram – fotografia, vídeo, e desenhos bordados foram concebidos enquanto modos constitutivos das ligações ou passagens que o indivíduo cria quando projecta/imagina sobre o que vê o que sabe. Movimentos operacionais que derivarão, portanto, da Experiência e do desejo de construir para si o seu próprio habitat.

Publicado a 15 de Novembro de 2013

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FANFARE FOR CROSSING THE ROAD
Ann-Marie LeQuesne

Fanfare for Crossing the Road é um projeto internacional em desenvolvimento que acrescenta cerimónia a uma situação comum. Em cada país, LeQuesne convida músicos – vestidos com os seus uniformes e posicionados ao lado dos semáforos, para reproduzir o mais fielmente possível o som produzido para os invisuais enquanto o semáforo está verde para os peões (que difere de país para país). Até à data, a performance foi levada a cabo em Londres (com dois tocadores de cornetas), Helsínquia (com três trompetistas e dois percussionistas) e Lisboa (com quatro trompetistas). Em Cardiff, realizou-se uma versão operática de Fanfare com oito cantores a cappella no âmbito do festival O:4W de 2012. A mais recente performance aconteceu em maio, em Nova Iorque (com dois vocalistas e dois percussionistas) com o apoio da Franklin Furnace Foundation.
Mais performances estão planeadas, nomeadamente em Philadelphia e Dublin. Cada Fanfare reflete de certa forma o seu país – o semáforo, o som produzido pelo mesmo, o uniforme usado, o comportamento das pessoas – tudo contribui para o que parecem ser capítulos de uma história contada com pontos de vista múltiplos. As performances realizadas vão sendo adicionadas ao vídeo transformando e acrescentando à sua narrativa.

BIO

Ann-Marie LeQuesne encena eventos que exploram comportamentos sociais em situações de grupo. Trabalha em locais públicos e o seu convite à participação é aberto e as pessoas participam espontaneamente. Todas as performances são sítio-específicas. Usando elementos do tableau-vivant, reencenação e ritual, a artista pede aos participantes que representem uma série de papéis. O teatro na obra aparece como um esforço coletivo. LeQuesne está interessada em situações onde há uma intenção, mas o resultado é incerto. Quer que os participantes descubram o que lhes é pedido enquanto o fazem. As performances são filmadas e fotografadas e as imagens resultantes assumem as qualidades e limitações de imagens documentais.

www.amlequesne.com
www.vimeo.com/annmarielequesne
www.theannualgroupphotograph.com

EN

Fanfare for Crossing the Road is an ongoing international project that adds ceremony to a common event. In each country LeQuesne asks musicians – dressed in uniforms and positioned beside the traffic lights – to mimic as closely as possible the digital acoustic crossing sounds (different in every country) that signal the time to cross for the blind. To date, it has been performed in London (with 2 cornet players), Helsinki (with 3
trumpet players and 2 percussionists) and Lisbon (with 4 trumpet players). An operatic Fanfare with 8 a cappella singers was performed in Cardiff as part of the 2012 O:4W festival. The most recent performance (with 2 vocalists and 2 percussionists) was in New York in May (supported by a grant from the Franklin Furnace Foundation).
Further performances are planned for Philadelphia and Dublin. Each Fanfare becomes a portrait of the country – the light, the traffic sounds, the style of dress, the behavior of the people – all contribute to what feels like chapters in a book where the story is told from multiple points of view. Performances will be added to the video as they occur and the shape of the narrative will evolve.

BIO

Ann-Marie LeQuesne stages events that explore social behaviour in group situations.
She works in public places and her invitation to participate is an open one. All performances are site specific. Often people join in the performance spontaneously.
Using elements of tableau-vivant, re-enactment and ritual, she asks participants to act out a range of roles. The theatrical in the work appears as a collective effort. LeQuesne is interested in situations where there is an intention but the outcome is uncertain. She wants participants to be discovering what her request feels like as they are doing it.
Performances are filmed/photographed and the resulting imagery takes on the qualities and constraints of documentary footage.

Publicado a 14 de Novembro de 2013

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METAFORMOSAS
Gabriela Gusmão

“Zhuang Zhou, o filósofo taoísta, certa vez sonhou que era uma borboleta a voar num campo aberto e florido ao sabor do vento. Quando acordou, já não havia vento e as asas tinham desaparecido. Encontrou-se a si mesmo como homem deitado numa cama dura e não mais no campo florido. Ele perguntou-se qual seria a realidade e qual o sonho: serei eu um homem que sonha ser borboleta ou uma borboleta que sonha ser homem?”
A imagem poética do sonho de Zhuang Zhou inspira esta exposição onde Gabriela Gusmão apresenta fotografia, filme e instalação.

Metaformosas: obra processo em estado poético entre a metáfora e o sonho. As Metaformosas versam sobre a formosura da metamorfose e seus movimentos. O primeiro movimento, o rastejar, revela-se no filme “Pilar, a equilibrista”. As fotografias da série “Perplexa” referenciam o segundo movimento, a aparente não-ação, o sonhar. Durante o sono profundo da crisálida dá-se a sua transformação num ser alado. No filme “Actinote Surima”, uma borboleta resiste ao terceiro movimento, mantendo-se segurada ao casulo, como que num ato de despedida. As evidências dos ciclos da vida estão presentes também na instalação “Loka Marsupial”, onde pequenos seres habitam a bolsa de uma marsupial enquanto gemidos de outra natureza articulam novos sentidos. A instalação “sonho ser Zhuang Zhou” centra-se na narrativa de uma borboleta em repouso eterno sobre uma pequena cama de ferro.

Gabriela Gusmão é artista visual, com intervenções nos campos da fotografia e filme em suporte digital e analógico. Mestre em Estruturas Ambientais Urbanas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAUUSP e graduada em Comunicação Visual pelo Departamento de Artes e Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio. Participa em exposições coletivas e individuais desde 2002, em diversas cidades do Brasil, além de Portugal, Espanha, França e Holanda. Participou em residências artísticas e apresentou o seu trabalho em palestras e congressos na Eslovénia, Itália, França, Espanha, Chipre e Turquia. Realizou diversas intervenções urbanas em espaços públicos e idealizou o projeto Urbanário. É autora dos livros Rua dos Inventos e Vírgula no Infinito. Atua também como fotógrafa, câmara e diretora de arte no campo audiovisual.

English version

“Zhuang Zhou, the taoist philosopher, once dreamt he was a butterfly, riding the wind across an open meadow. When he awoke, there was no wind, no meadow, and he had no wings. There was only a man asleep on a hard bed. He asked himself which was the dream, and which was reality. Am I a man dreaming of being a butterfly? Or a butterfly dreaming of being a man?” The poetic imagery of Zhuang Zhou’s dream inspires this exhibition of Gabriela Gusmão’s photographs, film and installations.

Metaphormosis: a process work in a poetic state between metaphor and dream. The Metaphormoses describe the beauty in metamorphosis and its movements. The first movement, the creeping, appears in the film “Pilar, the balancing worm”. The photographs in the “Perplexa” series refer to the second movement, the apparent non-action, the dream. During its deep sleep the chrysalis becomes a feathered creature. In the film, “Actinote Surima”, a butterfly resists the third movement, holding onto the cocoon as if saying a reluctant goodbye. Evidence of the cycles of life is also present in the “Loka Marsupial” installation. There, small creatures squirm in the pouch of a marsupial, to a soundtrack of groans from elsewhere in the natural world with their own, different, meaning. The “Dream of being Zhuang Zhou” installation centres around the narrative of a butterfly in eternal rest on a small iron bed.

Gabriela Gusmão is a visual artist, working primarily with analogue and digital photography and film. She has a masters’ degree in urban environmental structures from the Architecture and Urbanism faculty of the University of São Paulo (FAUUSP), and a bachelors’ degree in visual communications from the Arts and Design faculty of the Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Gabriela began her career as an artist in the 21st century, and since 2002 has exhibited her work in group and solo shows across Brazil, as well as in Portugal, Spain, France and the Netherlands. She has participated in art residencies and presented her work at conferences in Slovenia, Italy, France, Spain, Cyprus and Turkey. Gabriela has produced several urban interventions in public spaces, and conceived the Urbanário (Urbanarium) project. She is the author of the book Rua dos Inventos (Invention Street).

Publicado a 8 de Outubro de 2013

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SALTWORKS
Katy Beinart

Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!

Fernando Pessoa, Mensagem

Saltworks relaciona migração, regeneração e memória através do material e das qualidades metafóricas do sal. O sal é uma substância do quotidiano que contém múltiplas histórias, viagens e narrativas. O sal interliga um mercado em Londres com locais em Portugal, incluindo Aveiro, Figueira da Foz e Rio Maior, cruzando culturas e representando o movimento de diásporas passadas e presentes formadas a partir do comércio e da migração, e que ainda moldam as nossas cidades. O meu fascínio com o sal começou quando descobri que o meu bisavô Woolf Beinart tinha, depois de ter emigrado da Lituânia para a África do Sul, em 1903, montou uma empresa chamada Darling Salt Pans and Produce Co., colecionando e comercializando sal a partir de salinas naturais. Comecei a reparar em referencias ao sal em rituais, memória e preservação em diferentes culturas. Tornou-se um projeto a longo prazo, “Salted Earth”, que pensa o sal como poética da migração e do fazer de um local e faz uma ligação à representação de diversas vozes no processo de regeneração urbana.

Tendo ido viver para Londres, e explorando o Brixton Market, uma área que tem sido um íman e uma âncora para os emigrantes, entrevistei comerciantes que me contaram as suas histórias de emigração, provações e perdas, mas de encontro de um novo lar em Londres. Usando o sal como um índice do comércio e de trajetos de migração do mercado, documentei produtos e gravei narrativas. Um dos comerciantes, José, cujo pai tinha vindo de Portugal, em 1960, estava à frente do negócio da família, contou a estória do bacalhau salgado que vendiam aos portugueses, italianos, gregos e jamaicanos, entre outros. O desvelar da história do bacalhau salgado e da produção de sal levou-me a Portugal e aos mais antigos locais de produção de sal, mercados de peixe e portos de comércio.

Os trabalhos aqui apresentados, realizados através de trabalho de campo em Portugal e em residência artística na Fábrica Braço de Prata em Setembro 2013, são documentos das viagens de mercado em mercado, do passado para o presente e tentativas de captar não só a materialidade, mas também a poética do sal. Uma instalação recria as tecnologias da produção do sal, inalterada durante séculos, convida o espectador a refletir sobre a lenta transformação do processo de evaporação e cristalização – o ciclo de “seca” do sal demora normalmente 6-7 dias. O sal, colhido das Salinas de Aveiro e Figueira da Foz, imiscuem-se com a água recolhida do Tejo.

As fotografias de locais em Aveiro, Figueira da Foz e Rio Maior, foram produzidas usando o papel “salgado”, método inventado por Fox Talbot no final da década de 1830, nos primórdios da fotografia. Experienciamos o sal através do paladar, mas estas imagens oferecem uma nova perspectiva, onde o sal surge tanto como imagem como construtor de imagens. As imperfeições e materialidade do processo analógico fotográfico proporcionam uma reflexão diferente sobre o significado da imagem reproduzida. São documentos das qualidades do material e dos seus poderes, assim como da sua aparência, invocando fortes ligações à memória e à preservação contida na história do sal.

Imagens de slides interligam os peixes salgados e os produtos de peixe no Mercado de Brixton e no Mercado de Ribeira, em Lisboa. Ambos os mercados vivenciam os desafios das mudanças das cidades, estando as vivências e os modos de vida ameaçados.

Finalmente, um pequeno filme documenta os processos de produção de sal nas salinas atuais, em declínio desde o século passado devido aos novos processos de preservação e produção de sal industriais. O filme considera ainda as qualidades poéticas da produção do sal, a lentidão, as tecnologias imutáveis, o ecossistemas e todas as analogias à cultura e migrações. Vozes descrevem as ligações às migrações, estórias de perda e melancolia, evocadas na palavra portuguesa sem tradução “saudade”.

Agradecimentos: Frank Cartledge, João Machado, Cristina , Maria & João Osório, a família Perreira, Ani Teles, Fabrice Zeigler, Camilla Watson, Luís Pavão, Mariana Pestana e a equipa Close Closer.
Este projeto foi apoiado por fundos do Architecture Research Fund of the Bartlett School of Architecture, UCL, do UCL Graduate School Research Projects Fund e do Artists International Development Fund Award do Arts Council England.

English version

Saltworks links migration, regeneration, and memory through the material and metaphorical qualities of salt. Salt is an everyday substance which contains multiple histories, journeys and narratives. Salt links a market in Brixton, London with sites in Portugal including Aveiro, Figueira da Foz and Rio Maior, connecting cultures, and representing the movement of past and present diasporas which formed through trade and migration, and still shape our cities. My fascination with salt began when I discovered that my great-grandfather Woolf Beinart had, upon migrating from Lithuania to South Africa in 1903, set up a company called the Darling Salt Pans and Produce Co., collecting and trading salt from natural salt pans. I began to notice references to salt in ritual, memory and preservation in different cultures. This developed into a long term project, ‘Salted Earth’, which looks at salt as a poetics of migration and place-making, and connects this to the representation of diverse voices in urban regeneration processes.
Moving to London, and exploring Brixton Market, an area which has been a magnet and an anchor for those of a migrant background, I interviewed market traders who told stories of migration, hardship, and loss, but of finding a new home in London. Using salt as indexical to the trade and migration links of the market, I documented products and recorded narratives. One trader, Jose, whose father had come from Portugal in the 1960s, ran the family deli, and told the story of the salt cod they sold to Portuguese, Italian, Greeks, Jamaicans, and many others. Unravelling the history of salt cod and salt production brought me to Portugal, and the ancient sites of salt production, fish markets and trading ports. The works shown here, made through field research in Portugal and a studio residency at Fábrica Braço de Prata in September 2013, documents the journey from market to market, past to present, and attempts to capture both the materiality, and poetics of salt. An installation recreates technologies of salt production, unchanged for centuries, whilst also inviting the viewer to reflect on the slow change of evaporation and crystallization – the cycle of ‘drying out’ salt usually takes 6-7 days. The salt, collected from the salinas of Aveiro, and Figueira da Foz, mingles with water collected from the Tejo.
The photographs, of sites in Aveiro, Figueira da Foz and Rio Maior, are produced using the ’salted paper’ method invented by Fox Talbot in the late 1830s, at the dawn of photography. We experience salt through taste, but these images offer another perspective, with salt as both image and as image constructor. The imperfections and materiality of analogue photographic processes offer a different meditation on the meaning of the reproduced image. They are documents to the material qualities and powers as well as the visual appearance, and they evoke the powerful connections to memory and preservation contained in salt’s history.
Slide images link salt fish and fish products in Brixton Market and the Mercado de Ribeira, Lisbon. Both markets are meeting the challenge of changing cities, as livelihoods, and ways of life, are threatened. Finally a short film documents the processes of making salt today in salinas, one which has seen a huge decline in the last century due to new methods of preservation and industrial production. The film also considers the poetic qualities of salt production, the slowness, the technologies that have not changed, the ecosystems that are supported, and the links to culture and migration. Voices describe links to migrations, stories of loss and longing, evoked in the untranslatable Portuguese word ‘Saudade’.
Thanks to: Frank Cartledge, Joao Machado, Cristina , Maria & Joao Osorio, the Perreira family, Ani Teles, Fabrice Zeigler, Camilla Watson, Luis Pavao, Mariana Pestana and the Close Closer team.
The project is supported by funding from the Architecture Research Fund of the Bartlett School of Architecture, UCL, the UCL Graduate School Research Projects Fund and an Artists International Development Fund Award from the Arts Council England.

Publicado a 8 de Outubro de 2013

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Alena Kotzmannova

“Alena Kotzmannova fotografa cenas banais, extraídas subtilmente daquilo que a rodeia. Mesmo que muitas retratem situações e objetos que nos deixam uma impressão de estar perante algo irreal, sentimos um contacto imediato com o mundo presente através delas. Objetos comuns e ambientes tornam-se metáforas de sentimentos e estados de espírito, tornam-se linguagem de prosa subjetiva. As imagens de Kotzmannova diferem do fotojornalismo tradicional, mas também da fotografia conceptual dos anos de 1970 que suprimem intencionalmente qualquer resíduo estético da imagem. O seu trabalho é mais próximo do conceito de fotografia que derivou – qualquer destas disciplinas pode parecer longínqua uma da outra – da escultura contemporânea. Um representante deste conceito é, por exemplo, Gabriel Orozco. Apesar de Kotzmannova não encenar as situações fotografadas, ela aproxima-se do sujeito como se de uma instalação escultórica se tratasse. Esta, devido à sua natureza, tem de ser documentada. Também presente no seu trabalho está a narrativa: o objeto ou situação são resultantes de uma ação, que pode ser literalmente captada e trabalhada. Traduzir esta questão em palavras quebraria a tensão que a imagem contém. Um sonho descrito e analisado perde o seu poder.” Tomas Pospiszyl, in: Kotzmann, Fra and Kant, Praga 2012, págs. 273-274.
O título DDMMYY refere datação, captação de um certo momento no tempo, que pode ser uma data de nascimento ou um prazo de validade da era consume – um processo mecânico para marcar a passagem do tempo na civilização ocidental. A exposição DDMMYY apresenta uma série de trabalhos de Alena Kotzmannova, artista contemporânea checa, que trabalha fotografia, instalação de vídeo e instalações no espaço público. A exposição pode ser explanada pelas palavras que a artista escreveu sobre uma das suas séries: “A série Transmitter não é uma história verdadeira, ainda que a montagem das imagens e o seu carácter crie um ritmo que pode sugerir uma narrativa. Estático e dinâmico, perto e remoto, olhando para algo e para algures, dois lados da mesma moeda. Lembramo-nos das imagens que vemos ou olhamos para um tempo e local desconhecidos? Em qualquer dos casos, a série transmite estranhas vibrações.“

Para mais informações visite: http://kotzmannova.cz

Publicado a 27 de Junho de 2013

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ENQUANTO FALO, AS HORAS PASSAM
Heleno Bernardi

http://www.magneticamagazine.com/artigo/arte/entrevista-a-heleno-bernardi/

Entrevista a Heleno Bernardi à Magnética Magazine

Depois da sua intervenção artística com “corpos colchão” na escadaria principal do Hospital Júlio de Matos, a Magnética entrevistou o artista brasileiro Heleno Bernardi, para conhecer melhor o seu trabalho e a sua vida.

Heleno fala-nos um pouco do teu trajecto profissional como artista.
Atuo como artista há cerca de 10 anos.
Neste tempo, fiz muitos projetos de intervenção urbana. Me interessam as possibilidades de quebrar a impessoalidade de espaços públicos interferindo de forma desavisada e realizando intervenções que não sejam imediatamente identificadas como projetos de arte. Gosto da ideia de trabalhos que provoquem por sua existência, sem que se saiba, necessariamente, que foram pensados por um artista.

Em que consiste o projecto “Enquanto falo, as horas passam”?
É uma instalação realizada com uma centena de colchões que têm a forma de figuras em posição fetal.
Os corpos-colchão (como os chamo) são agrupados e encaixados entre si, criando um campo de relação e interação para o publico.
As questões centrais da obra são acolhimento, abrigo e desabrigo, buscando colocar em perspectiva a relação do corpo com o espaço urbano e com os outros corpos para criar territórios de reflexão e potencializar trocas afetivas, culturais e sociais.
Estes corpos-colchão sugerem tanto uma abordagem participativa e relacional, quanto de acontecimento espacial e escultórico.O trabalho é montado em espaços abertos, de passagem ou mesmo espaços fechados onde haja grande circulação de pessoas. Neste sentido, é sempre uma intervenção.

Como surgiu esta hipótese de vires a Portugal mostrar o teu trabalho?
Surgiu dentro da programação do Ano Brasil Portugal, projeto cultural entre os dois países com o objetivo de estreitar e aprofundar relações. No Brasil, a realização é da Funarte, Ministério da Cultura e Ministério das Relações Exteriores. Fui convidado pela diração do evento para montar este trabalho aqui justamente porque fala de aproximação, de trocas e interação. Apresentei a proposta ao Victor Pinto da Fonseca, da Plataforma Revólver, que generosamente o acolheu.

Vais apresentar o projecto no Hospital Júlio de Matos em parceria com a P28. Como será?
Mostrei o projeto ao Sandro Resende, que me convidou para conhecer o hospital, o trabalho que realizam com os pacientes e a P28. Fiquei bastante impressionado com a importância das atividades e seu alcance. Hoje, não cabe mais fazer separações dentro da arte a partir de critérios de saúde mental. No Brasil temos um exemplo icônico que é o Artur Bispo do Rosário. Sem dúvida, ele é um dos maiores artistas do país e, no entanto, passou 50 anos de sua vida como interno de um hospital psiquiátrico.
A escolha da escadaria principal do Júlio de Matos como lugar da realização se deu por simbolizar o encontro e a mistura entre pacientes e sociedade e que no passado já teve uma dinâmica bastante diferente. A ideia é apresentar o trabalho à comunidade do hospital e envolvê-la numa ação de ocupação e interação a partir dos colchões. A obra se dá ali, na hora.

Sabemos que já o apresentaste em mais locais. Como correu até agora?
O processo inicial do trabalho é a mesmo. Apenas coloco os corpos-colchão em algum lugar e deixo que eles provoquem as pessoas. Dependendo das características de cada espaço, do contexto social e urbano, vão surgindo situações muito próprias. Aqui em Lisboa o trabalho está sediado no Transboavista (Plataforma Revólver), que é o parceiro original do projeto. Em dias específicos, levei-o para o Cais do Sodré, para o Carpe Diem Arte e Pesquisa e para o Instituto Gulbenkian de Ciências. No Transboavista e no Carpe Diem o trabalho já estava inserido num contexto de arte contemporânea, o que deu uma partida naturalmente artística para o acontecimento. No Cais do Sodré, com muitos turistas no entorno, o trabalho se desenvolveu a partir da estranheza e da curiosidade. E teve uma dinâmica bastante divertida. Já no Instituto Gulbenkian de Ciências, houve apropriação da instalação para atividades de leitura, relaxamento, encontro de pessoas e experimentação corporal. E também muita reflexão sobre o conceito. Os pesquisadores colaboraram enormemente com questionamentos, proposições e divagações.

A cidade de Lisboa inspira-te?
Neste momento, não poderia estar em lugar melhor. Mesmo! Tenho experimentado um espírito muito acolhedor na cidade, o que é particularmente inspirador para este trabalho. O contato com as pessoas e instituições tem sido muito fluido. Cheguei aqui com uma instituição programada para receber o trabalho e, em poucos dias, fui apresentado a outras e a muitas pessoas que têm feito o projeto avançar. Susana Anágua, Cristina Filipe, Victor Pinto da Fonseca, Lourenço Egreja, Sandro Resende e Inês Domingues, entre outros, me ajudaram muito nisso. O que tem tudo a ver com o conceito da obra de ir se desenvolvendo organicamente a partir do encontro.

Que artistas brasileiros destacas no momento?
Chelpa Ferro, a dupla Franz Manata/Saulo Laudares, Rodrigo Braga, Marta Jourdan, Ângelo Venosa, Eduardo Berliner, Claudia Hersz, Henrique Oliveira e José Rufino.

Por Bruno Pereira /// www.magneticamagazine.com

Publicado a 7 de Junho de 2013

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BURNOUT
Orlando Franco

BurnOut é o título do último projecto de Orlando Franco a ser apresentado na Plataforma Project 2. O artista explora, um
conjunto de linhas de abordagem e caminhos possíveis, em torno do tema, ao qual se auto impôs. A exposição apresenta,
objectos e imagens, que reformulam questões e premissas de acção suspensa.
Este projecto desvenda um universo pré-existente de pensamentos, discursos, processos inerentes ao trabalho do artista.
Repisados e repensados de forma exaustiva, com intensidades pico, ora pacíficos, ora não. Através deste conjunto de
imagens e objectos propõe questionar um ambiente (interior/exterior) apropriadamente designado por Burnout, um
estado associado a uma acção repetitiva com diferentes graus de intensidade, culminados num extremo que criam, dão
lugar a outro estado, com manifestações i/materiais. O efeito, a marca, a suspensão, a evidência entre estes dois estados,
o rasto da sua passagem, são imagens que o artista dá a ver a um espectador disposto.
Burnout é o termo de eleição, proposto pelo artista não como título da exposição, mas como algo que define um universo
particular pré-existente, de uma problematização com dimensões físicas e conceptuais. Para ele todo o processo é um
Burnout. Seja um processo direccionado para a obra em si, seja inclusive para o acto de revelar, de dar à luz um conjunto
de obras num acto público e expositivo. Nesta exposição presenciamos um questionamento sobre algo que se antevê o
seu culminar, com olhos fixos no seu percurso que pensamos já conhecer. Todos os detalhes são um somatório de acontecimentos
potenciados pelo contexto, muitos dos quais já exercem uma acção de domínio e de um poder pré-existente.
Sem fuga. No seu espaço expositivo e encenação procura não deixar indiferença ao peso, á pressão que paira e atinge o
espectador com a ideia de um ato pungente, doloroso, condicionado e repetido, uma vez mais. As narrativas de um ato,
que se transformam em algo que pode remeter, ainda que vagamente, para uma poesia visual.
Do domínio da máquina, da manipulação da imagem nascem desenhos, sonoridades, novas imagens, que nos falam da
metáfora daquele gesto e do seu tempo. O artista cria um percurso imaginário e convidativo que leva o espectador a
percorrer a distância imaterial da acção/gesto e do seu efeito, da sua impressão/marca. A máquina, o homem ou o animal
surgem como sujeitos da acção, da acção que nos distrai pela sua repetição, e nos surpreende com a sua marca.
O artista apresenta um conjunto de obras que passam pelos meios do desenho, fotografia, escultura e vídeoinstalação.
O vídeo Untitled (Wind) conta com a colaboração de Cláudia Efe que interpreta e produz a composição sonora.
Rita Firmino de Sá, Maio 2013

Publicado a 7 de Junho de 2013

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