27
Set
a
8
Nov

dg5w1264


Artistas:
Adia Millet, Ângela Ferreira, Fernanda Fragateiro, Miriam Bäckstöm, Mona Hatoum,Narelle Jubelin, Susana Mendes Silva, Wangechi Mutu  

Comissária: Filipa Oliveira


(RE) VOLVER

A experiência de entrar na plataforma revólver provoca, quase de imediato, a reminiscência de entrada na casa de um estranho. Entrar sem ser convidado e procurar a presença, ou a memória, dos habitantes que já há muito a abandonaram. A casa logo se impõe como um elemento central da experiência do visitante, papel que assume, também, na exposição que agora se apresenta.

Longe de se enquadrar no paradigma, ainda recente e dominante, de espaço expositivo neutro e vazio de referências – para que a experiência estética seja a mais pura possível – esta casa é aqui o ponto de partida, domínio palpável da experiência criativa e de observação

a casa foi o elemento que iniciou o projecto. Foi a partir dela, e em resposta a ela, que cada uma das artistas pensou a sua presença. Ela assume-se assim quase como mais um participante da exposição. À semelhança de um palimpsesto, a casa esconde a memória dos ocupantes anteriores para que na reinscrição de um novo gesto, se imponha uma nova presença e uma nova memória.

as artistas foram convidadas a pensar a ideia de casa, de uma casa também ela em tempos habitada por artistas, da memória que perdura gravada nas paredes. O desafio foi exactamente o de reflectir essa memória, por forma a que novas e antigas memórias pudessem coabitar no mesmo espaço. Num permanente revolver.

O rever das casas e das causas
O revolver das coisas
Que dormiam
 
“Eis-nos” em Novas Cartas Portuguesas

Revolver também outras memórias, que ultrapassam esta casa em particular, para abranger a ideia de casa como local inscrito da memória da prática feminista. Esta exposição propõe-se contemplar essa prática, com o objectivo de repensar a sua existência; Meditá-la como uma possibilidade de existência e de continuidade; reflectir o seu sentido no contexto actual das práticas artísticas contemporâneas. Fará ainda sentido fazer uma exposição em que as participantes são exclusivamente mulheres? Fará sentido o seu oposto? E será ainda necessária uma reflexão sobre feminismo, sobre domesticidade?

Mais do que apresentar as respostas, esta exposição pretende suscitar novas perguntas e abrir caminhos para um novo entendimento do (pós) feminismo, questionando desta forma a sua validade, e necessidade na actualidade. Acima de tudo, esta exposição aspira a (re) volver coisas que dormiam.

Filipa Oliveira

Publicado a 25 de Setembro de 2006

24
Jun
a
31
Jul

Vitor Reis, S/Título, papel, medidas variáveis

Vitor Reis, S/Título, papel, medidas variáveis

Artistas: José Josué, Nelson Crespo, Paulo Tuna, Vitor Reis
Comissário: Valter Vinagre

Olhei para o céu e nada vi

Como base de orientação aos autores, foi-lhes solicitado que a partir de uma, ou mais, visitas ao espaço da Plataforma Revólver, desenvolvessem os seus trabalhos de forma a que as peças a apresentar traduzissem o binómio espaço/memória, ou que, por este conceito, fossem condicionadas. É pois em torno de esta ideia que José Josué, Nelson Crespo, Paulo Tuna e Vítor Reis desenvolveram os seus projectos.
José Josué parte da ideia de que toda “a matéria de sobra” se transforma em pó. É com este, que caindo e acumulando-se, a realidade se transforma através da improvisação que opera na matéria até que a estrutura daí resultante seja condicionada/apertada pelo espaço físico.
Nelson Crespo, que tem centrado o corpo do seu trabalho nas questões da identidade, da imigração e da viagem, vem, através deste conjunto de retratos manipulados, propor-nos uma reflexão antecipada sobre as alterações na sociedade que a introdução do sistema de identificação, através do scan da íris, vai produzir na classificação bio métrica proposta e utilizada pela ICAO “International Civil Aviation  Organisation”.
Paulo Tuna desenvolveu um trabalho de proximidade com o espaço, onde ecoa silêncio e penumbra e com o qual estabeleceu uma relação de intimidade,  um diálogo ensurdecedor, onde a memória do aço, moldado a fogo, amestra o espaço físico com uma certa ternura/doçura/carinho próprio do trabalho de um Hefestos do século XXI.
Vítor Reis inscreve-se no mundo da arte através do simulacro das arcas da memória, quer sejam mármore, quer sejam chão revestido. O material é suporte de mensagem profunda e apresenta um registo que traduz a certeza das nossas vivências e crenças, memórias e coisas. A fragilidade do material indestrutível, mas ligeiro que se molda aos movimento do espectador,  revela na sua peça  tanto um auto-desprendimento, como uma reflexão sobre o desejo de inscrição no mundo.
Estes autores, alheios a quaisquer dirigismos, ou longe dos oportunismos modistas, estão talvez ainda à procura de um corpus coeso, ou confirmam esse mesmo trabalho de procura característico dos artistas, contudo têm atrás de si um autêntico labor de pesquisa demonstrado pela produção contínua e paciente.

Valter Vinagre

Publicado a 23 de Junho de 2006

6
Mai
a
17
Jun

Vitima de descriminação social no pós-guerra #1, Noruega, 2004

Vitima de descriminação social no pós-guerra #1, Noruega, 2004

Comissário: José Maças de Carvalho

Fotografias 94-05:

As fotografias de Pedro Loureiro são mais do que fotografias jornalísticas. As suas imagens filiam-se na linha de significativos fotógrafos que usam a camera como um substituto da escrita.
Assim a fotografia adquire espessura documental e ganha uma expressão tão significativa como o texto: abrimos uma revista ou jornal e encontramos uma página cheia com uma imagem, sem texto (“O Independente”, na década de 90 ou a “Grande Reportagem”), e somos transportados para um cenário de violência urbana (um emigrante português, armado, no seu supermercado de Joanesburgo – “Joanesburgo #5”- ; a agressividade em potência, a capacidade militarista do homem, capaz de se defender, e enfim, o inusitado de alguém armado a dirigir um espaço de que dependemos para sobreviver na grande cidade); ou para a presença de uma família, em Cabo Verde (“Baía das Gatas”- a ausência da mulher/mãe é fulcral na significação daquele universo); para uma rua de Macau, onde uma avó protege o neto, com o seu abraço (a família nuclear chinesa depende, absolutamente, dos avós: substitutos dos pais durante os primeiros anos da criança) ou para o quotidiano dependente de Luiz Pacheco, onde a irreverência do escritor é reforçada pela postura mimética e cúmplice da funcionária que, porventura, o trata.
Quando a fotografia tem a capacidade de construir leituras particulares de determinado universo, através da depuração visual e do enfoque em pormenores pregnantes, estamos perante um discurso autónomo, para a fotografia como expressão e para o documentalismo como espaço de aprendizagem.
Outra particularidade destas imagens é o cuidado colocado no desenho dos contextos, carregados de informação sociológica sem desvalorizar a plasticidade da imagem, o que acentua a singularidade de cada um dos personagens que Pedro Loureiro regista. São pessoas, mas tornam-se personagens, porque sentimos que cada um pertence a universos capazes de conterem narrativas pessoais, quase sempre protagonistas de dramas ou tragédias de interesse universal. A realização destas imagens é feita com a cumplicidade dos retratados, trazendo para a fotografia documental o carácter ético que tem vindo a perder em favor da massificação das imagens, na imprensa.

José Maçãs de Carvalho, Abril de 2006

Publicado a 5 de Maio de 2006

18
Mar
a
29
Abr

terroristkitty2best

Artistas: Filipe Rocha da Silva, Gustavo Sumpta, Jane Gilmor, João Pedro Rui
Comissários: António Caramelo e João Fonte Santa

A PLATAFORMA REVÓLVER tem o prazer de apresentar “Boa noite, eu sou a Manuela Moura Guedes”, exposição colectiva com trabalhos de Filipe Rocha da Silva, Gustavo Sumpta, Jane Gilmor e João Pedro Rui.
A exposição apresenta um filme (Filipe Rocha da Silva), arte performativa (Gustavo Sumpa) e fotografias (Jane Gilmor e João Pedro Rui).

Publicado a 16 de Março de 2006

20
Jan
a
11
Mar
Pedro Valdez Cardoso, "Mise en Scène", 2006, técnica mista, dimensões variáveis

Pedro Valdez Cardoso, "Mise en Scène", 2006, técnica mista, dimensões variáveis

Artistas: Ana Pérez-Quiroga, Catarina Saraiva, Jorge Santos, Pedro Valdez Cardoso

 
“The Act of Apparition”

Qualquer obra de arte pode ser encarada como um processo de emergência no campo de visão, um momento de aparição. Uma construção desenhada no espaço mental de cada artista, que materializa através de um acto, muitas vezes apelidado de transcendente. Se a palavra transcendência é normalmente apreendida num contexto religioso, não se está aqui muito longe desse domínio. O acto criativo emerge como um momento de consubstânciação de algo invisível, um acto quase mágico.
As obras da presente mostra parecem sobressair no espaço expositivo, como que suspensas no momento de aparição. A ideia de suspensão evidencia-se, aliás, como um tema dominante nos trabalho expostos (nalguns visualmente mais explícito que noutros).

Outra tendência parece ser a re-materialização dos objectos, uma vez que em todas as obras sobrevive um acto de apropriação de matéria preexistente – lixo, cadeiras, pedras, tacos de madeira -, seguido pela sua subversão e reapresentação de acordo com a poética e método de trabalho de cada um dos quatro artistas.
Por fim, deve falar-se de uma estratégia comum de engajamento directo com o espectador. Cada obra implica a participação activa, de um ponto de vista mais visual, no ‘lixo’ de Pedro Valdez Cardoso, em que o espectador é convidado a identificar os objectos que correspondem a cada forma e, nesse processo, assumir-se como criador da obra; num confronto físico de circulação no espaço, como acontece com os trabalhos de Jorge Santos e Catarina Saraiva, em que é forçado a circundá-los e, consequentemente, apreende-los; de uma forma mais emotiva na instalação de Ana Pérez-Quiroga, em que o espectador oscila entre a crença na magia da engenharia física que suspende as pedras e o confronto com as cópias dessas mesmas pedras.
No fim da experiência expositiva, desponta um sentimento: o de que o acto criativo prepassa o intelectual para se revestir do encantamento de um acto de magia.

Filipa Oliveira

Publicado a 19 de Janeiro de 2006

11
Nov
a
14
Jan

nchoresmaisconvite01

Artistas: Alexandre Estrela, Esteban De La Monja, Juan López & José Julian Soanez, Mafalda Santos
Comissários: António Caramelo e João Fonte Santa

Não Chores Mais!
Não Chores Mais pretende entender o mundo através do humor, como arma de arremesso ao dispor do social contra a sua própria rigidez, considerando-o como uma valiosa ferramenta para nos ajudar a analisar contradições, ligar as distâncias e o incompatível, por forma a encontrar realidades alternativas.

Em Não Chores mais avalia-se o humor como método de compromisso e combate social em termos de estratégia artística, não no sentido de arte política, mas na realização da arte politicamente…

António Caramelo e João Fonte Santa (Comissários)
Novembro 2005

Publicado a 10 de Novembro de 2005

23
Set
a
5
Nov

travel-expo

Artistas: Ana Silva, Francisco Vidal, Gustavo Sumpta, Luisa Low Pew, Paulo Kussy, Sílvia Moreira, Osvaldo da Fonseca, Verónica Leite de Castro.

A exposição “TRAVEL”, é apresentada pela PLATAFORMA REVÓLVER, e faz parte, do África Festival 2005. Expõe trabalhos de uma nova geração de artistas que partilham como factor comum -um contexto humano- serem pessoas muito diferentes, mas todas ligadas, intimamente a África e Portugal, e às suas relações, o que outorga unidade à selecção: A exposição inclui 8 artistas contemporâneos, cujo trabalho responde, à sua experiência de viajarem e viverem entre culturas, e que reflecte, outras visões e narrativas do mundo em que vivemos. Tendo como ponto de partida este lastro, a exposição funcionará como um laboratório -haverá debates teóricos e visitas guiadas- que oferece a oportunidade, de desenvolver, e relacionar, trabalhos de vários artistas de vários backgroundes culturais, e delineia a observação da intersecção de diferentes formas de criatividade e praticas artísticas.
“Em primeiro lugar, há o problema do começo; principalmente, o de sabermos como é que passamos de onde estamos, o que, por enquanto, é em um sítio nenhum, para o outro lado. É, pura e simplesmente, um problema de ponte, um problema de se improvisar uma ponte. As pessoas resolvem estes problemas todos os dias. Resolvem- -nos e , uma vez resolvidos, avançam.
Partamos do princípio de que, fosse como fosse, está feito. Partamos do princípio de que a ponte está construída e atravessada, que podemos esquecer isso. Deixámos para trás o território onde estávamos. Estamos agora bem longe, no território onde queremos estar.” J.M.Coetzee
Neste contexto, de expressão pessoal e de identidade cultural, o desafio da concepção e apresentação da exposição, é torná-la compreensiva, com o objectivo de criar uma declaração (relato) pertinente a respeito do valor cultural do universo lusófono da cultura contemporânea: é um “olhar de pássaro” sobre a riqueza da multiplicidade das relações artísticas entre artistas diferentes, mas sem uma preocupação de discurso teórico, antes preferindo dar liberdade à força da imagem, e ao estimulo que ela produz no espectador.
A exposição “Travel” apresenta vários trabalhos, numa aproximação de site-specific, e que vão desde pintura, escultura, tapeçaria, vídeo e graffiti, num espaço colectivo.

Publicado a 22 de Setembro de 2005

20
Mai
a
9
Jul

my-own-convite-fotos

Artistas: António Júlio Duarte, Cátia Serrão, José Maçãs de Carvalho, Manuel Valente Alves, Marta Moreira, Nuno Cera, Rodrigo Peixoto, São Trindade, Susana Mendes Silva, Valter Vinagre.
Comissário: José Maças de Carvalho

“My own private pictures/Imagens privadas resultou de um convite feito pelo coleccionador Vítor Pinto da Fonseca, no sentido de integrar a programação da Plataforma Revolver na bienal LisboaPhoto.

My own…foi construída considerando o espaço de exposição enquanto espaço-casa, e não espaço-galeria. É uma casa desabitada que exibe marcas da presença humana.
Depois de ter chegado à short-list de dez autores (fundamental a pesquisa que www.anamnese.pt permite!), que usam a fotografia de forma decisiva, o processo de construção da exposição iniciou-se e desenvolveu-se através da Internet.
O espaço foi seccionado em seis partes: quarto, sala, corredor com duas paredes, hall do wc/cozinha e salão. Em cada espaço há uma imagem de cada autor, dez imagens por compartimento, num total de sessenta.

O primeiro condicionamento foi dado pela escolha da minha imagem para o quarto que foi enviada ao autor b. Este escolheu a sua e reenviou-me. As duas imagens foram enviadas ao autor c, e assim sucessivamente. Cada compartimento foi construído assim, mudando a ordem dos autores. Tudo foi aferido com uma única reunião no espaço físico.

Cada autor foi, também, comissário porque decidiu, de forma absoluta (embora condicionado pela escolha anterior), a sua fotografia para cada espaço.
O processo pretendeu sublinhar a ideia do autor autónomo, dono do seu próprio trabalho. De certo modo, é um projecto autogestionário, sem o curator institucional nem a mediação do galerista. As imagens vêm directamente do arquivo do autor para o espaço de exposição.

Poderá ser a casa de um coleccionador com o privilégio de terem sido os artistas a escolherem a sua arte privada. Também poderá ser um auto-retrato dos artistas envolvidos: cada um de nós sabia que estava a fazer escolhas muito pessoais, para uma casa.”

José Maçãs de Carvalho, Maio, 2005

Publicado a 18 de Maio de 2005

11
Mar
a
30
Abr

convite-expogod-with-us

Artistas: Cláudia Ulisses, José Berenguer Salvador, Luis Baptista, Miguel Palma e Nuno Ramalho
Comissários: António Caramelo e João Fonte Santa

God with Us?
A ideia para a exposição tenta explorar as relações entre as diferentes regiões e a segunda vaga da globalização revelada segundo a definição ou conceito descrito como “eixo do mal”, onde entram em confronto as relações de compromisso social Vs a motivação espiritual bem como as noções “localismo” Vs “cosmopolitanismo”, paisagem urbana Vs rural .
O objectivo é promover a especificidade e a diferenciação dentro de um mundo cada vez mais uniformizado e tentar opôr/revelar o “informe” económico e cultural presente nos nossos dias – revelado no controlo eminente presente das emoções e sentimentos pelas a indústrias da cultura (música, etc.) – através de uma forte reafirmação das ideias ligadas à evolução pessoal, da realização individual, do cultivo de identidades complementares, mas também com a responsabilidade social e política, hierarquia de valores humanos, o pertencer planetário, e a ecologia espiritual ou, por outras palavras, de reinventar uma posição consciente do homem no universo e de promover um universalismo mais
igualitário, mais humano e verdadeiramente ecuménico….

António Caramelo

Publicado a 10 de Março de 2005

14
Jan
a
5
Mar

anoite1

Artistas: Alice Geirinhas, António Caramelo, João Fonte Santa, Pedro Paiva, Renato Ferrão, Rui Valério

Publicado a 13 de Janeiro de 2005

« Entradas prévias Entradas seguintes »